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O Medium é uma plataforma de adware?

Na semana passada, estava a pôr as feeds em dia e um dos links que abri foi um artigo no Medium. Já não me recordo qual o artigo, apenas que não o li de imediato. Deixei o separador aberto e li outras coisas que tinha pendentes.

Quando finalmente ia para ler o tal artigo, reparei que o uBlock tinha mais de 800 itens bloqueados na dita página. Achei estranho, porque o Medium tem uma boa reputação como ferramenta de blogging [se bem que a reputação vale o que vale].

Comecei por recarregar o separador, não fosse algo específico desse post. Quando terminou, o adblocker mostrava apenas 3 itens bloqueados. Poucos segundos depois, passou a 4, depois a 5, 6, e por aí fora.

«Há aqui algum tipo de malware», pensei eu.

Continuei com o despiste. Abri outra link fora do Medium e isso não aconteceu. Tentei então abrir outro artigo no Medium e voltou a acontecer o mesmo. Estava claro que é uma questão da plataforma.

Depois de confirmar que é específico do Medium, abri o logger do uBlock e reparei que estava sempre a ser adicionada a mesma entrada: https://medium.com/_/batch. Tentei fazer foi visitar a link, mas o servidor web retorna o erro HTTP 405.

Ficou a faltar analisar os cabeçalhos HTTP. Talvez volte a isto mais tarde, mas por agora preferi documentar este comportamento estranho da plataforma Medium, com um vídeo a acompanhar.

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Perch Light

Perch Light é um candeeiro, em forma de pássaro, feito com papel sintético e bronze. O autor é o arquiteto e designer Umut Yamac.

O candeeiro tem iluminação interna, que se ativa através do contacto com o poleiro. A forma como este mecanismo foi desenhado permite que o pássaro balance sem desligar o circuito.

Uma opção interessante para a iluminação de uma sala de estar.

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Há vida em Marte?

Adam Frank. um professor de astrofísica da Universidade de Rochester, publicou um artigo de opinião, no The New York Times, sobre a possibilidade da existência de vida para além do nosso planeta. Ao contrário do que é habitual nesta questão, muitas vezes polarizada e que quase é levada ao nível da crença, o texto é incrivelmente sóbrio e interessante.

That’s why discussions of extraterrestrial civilizations, no matter how learned, have historically boiled down to mere expressions of hope or pessimism. What, for example, is the fraction of planets that form life? Optimists might marshal sophisticated molecular biological models to argue for a large fraction. Pessimists then cite their own scientific data to argue for a fraction closer to 0. But with only one example of a life-bearing planet (ours), it’s hard to know who is right.

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Imagem de JD Hancock, sob a licença CC-BY-2.0

opinião

Sobre o corte de financiamento público das instituições de ensino privadas

Esta estória dos cortes nos estabelecimentos de ensino privados com contrato de associaçaõ tem causado muita polémica e opiniões discordantes. Pior ainda, tem havido muita desinformação de ambos os lados.

A opinião mais realista que ouvi ou li foi a do Miguel Caetano, num post que publicou no Facebook e que transcrevo aqui com autorização do próprio.

O debate em torno do financiamento de colégios privados com fins lucrativos pelo estado português é um dos mais intelectualmente desonestos e superficiais dos últimos anos.

O argumento supremo invocado para justificar o financiamento desses colégios em situação de redundância comparativamente a escolas públicas é, como não poderia deixar de ser, o da qualidade: basicamente, invoca-se que os contribuintes portugueses devem apoiar esses colégios porque a educação que eles proporcionam aos seus alunos é de uma qualidade superior à da escola pública situada a menos de um quilómetro.

A questão é que o argumento que está aqui em causa representa quanto a mim um autêntico quebra-cabeças lógico: porque razão é que se deve financiar com dinheiros públicos colégios com fins lucrativos? Porque os alunos saem de lá melhor preparados. E porque é que isso acontece? Porque são colégios privados. Mas se são privados e visam obter lucro, então porque carga de água necessitam do dinheiro dos contribuintes para sobreviverem?

Em suma: analisando a questão em pormenor, não parece existir qualquer razão ontológica que impeça que as escolas pertencentes à rede pública não ofereçam a mesma educação de qualidade que os colégios privados. Mais ainda: pode muito bem ser que esse dinheiro que os contribuintes gastam com colégios privados possa ser mais bem empregue na ampliação e renovação da rede de ensino público.

Esta discussão é superficial sobretudo porque confunde um sintoma com uma causa: o facto dos colégios privados ministrarem um ensino supostamente de maior qualidade não deve ser atribuído ao seu estatuto de entidades com fins lucrativos – MUITO PELO CONTRÁRIO! Se mais não fosse, a própria necessidade da existência de contratos de associação entre o Estado português e as empresas responsáveis por esses colégios para a sobrevivência de muitos destes últimos revelaria que a educação de qualidade não é e nem pode ser lucrativa!

É claro que aquilo que entendemos por “qualidade” é muito relativo, dependendo na prática da interpretação subjetiva de cada pessoa. Para uns, pode ser uma excelente média nos exames nacionais; para outros pode ser uma variedade de matérias extracurriculares; para outros ainda pode ser piscinas e ginásios olímpicos, spas, transportes pagos de casa para o colégio e do colégio para casa, etc. Mas enveredar por essa discussão já seria entrar num nível mais avançado. Para todos os efeitos, entendamos provisoriamente por qualidade como sendo uma combinação de todas essas definições, com especial ênfase para a primeira delas.

Nesse sentido, é fácil constatar pela consulta dos estatutos dos colégios, bem como da Constituição da República Portuguesa que:

1) o fim último de maior parte dos colégios privados não é uma noção mistificadora de “qualidade” mas sim a obtenção de lucros para os seus acionistas;

2) o fim último das escolas públicas não é a qualidade enquanto ideal místico mas sim cumprir a obrigação imposta ao Estado pela CRP de proporcionar uma rede de ensino o mais universal, aberta e gratuita possível.

Como se pode ver, a qualidade resume-se a um atributo mistificador que, na sua aceção maioritária – maior desempenho escolar -, resulta não raras vezes de uma consequência a posteriori fortuita, não podendo ser acorrentada de forma essencialista a um ou outro sistema de ensino. Isto porque nem colégios privados nem escola pública têm como missão última proporcionar um ensino de qualidade.

Obviamente que para além do ensino privado com fins lucrativos e do ensino público, poderemos sempre também falar de um ensino cooperativo e/ou sem fins lucrativos, proporcionado por associações locais ou organizações não-governamentais. Ainda que esse tipo de ensino seja quanto a mim mais merecedor do financiamento público do que empresas com fins lucrativos, mesmo nesse caso teremos que ter o cuidado de evitar que o contribuinte acabe por financiar propaganda religiosa, política ou qualquer outro tipo de ideologia que se desvie da missão universalista e aberta do sistema de ensino público.

Esta discussão em torno dessa mistificação chamada qualidade é aliás igualmente válida para outros domínios tradicionalmente financiados pelo Estado como os transportes ou as bibliotecas. A diferença é que alguém que viesse a terreno defender a suspensão dos planos de ampliação e renovação da rede pública de transportes coletivos (metropolitano, caminhos de ferro e serviços rodoviários) de modo a financiar os serviços privados de transporte de uma empresa como a Uber apenas porque estes são mais confortáveis, rápidos e asseados seria encarado como um autêntico idiota, quando não mesmo um palhaço.

O mesmo se diga aliás de alguém que defendesse o fim das verbas destinadas anualmente pelo orçamento de Estado às bibliotecas municipais e universitárias para que, em troca, o Estado passasse a oferecer mensalmente a todos os cidadãos nacionais um cheque-brinde no valor de 100 euros para a aquisição de livros na Amazon apenas porque as bibliotecas públicas não dispõem de todas as obras que constam dos programas das cadeiras dos cursos superiores das universidades públicas… :o)

Subscrevo a opinião do Miguel.

imagem da autoria de Carmine Savarese, sob a licença CC-BY-NC-ND-2.0

software livre

Lollypop, um doce de leitor

O projeto GNOME tem mantido o Rhythmbox como leitor de música padrão há vários anos, mas recentemente começaram a desenvolver o GNOME Music para substituir o anterior. Este novo leitor integra-se melhor com o gestor de desktop, mantendo o interface mais simples comum às novas aplicações GNOME.

A simplicidade do GNOME Music também faz com que fique aquém das funcionalidades do Rhythmbox, apesar de ganhar aos pontos no look e facilidade de utilização.

O Lollypop, desenvolvido por Cédric Bellegarde, oferece um equilíbrio entre estes dois leitores, juntando várias funcionalidades a um interface semelhante ao GNOME Music.

Este leitor integra-se com a Wikipedia e o Last.fm para mostrar a informação sobre o artista ou banda que estão a ouvir; descarrega a capa dos álbuns do Last.fm, Itunes e Spotify; suporta vários formatos; sincroniza a vossa colecção com dispositivos móveis através de MTP (ex.: smartphones Android); entre outras funcionalidades.

O melhor para mim, no entanto, é o suporte para rádios online, já que atualmente só ouço música através de streaming. As rádios podem ser adicionadas manualmente ou podem usar a integração com o TuneIn para as adicionar.

A aplicação pode ser compilada ou podem recorrer a um dos pacotes disponibilizados para vários sistemas operativos.

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GhostBSD como guest em KVM

Já há algum tempo que me deixei do “distro hopping”, isto é, trocar de distribuição frequentemente. Hoje em dia, mantenho-as até me deparar com algum tipo de problema que me obrigue realmente a trocar o sistema operativo.

Foi uma situação destas que se passou recentemente com a instalação de Ubuntu que tinha no portátil, que de outra forma se teria mantido. A versão 15.04 começou a ter uma degradação de performance acentuada ao fim de alguns meses e a dar alguns erros (fiquei com o Apport, o daemon para reportar os erros aos devs do Ubuntu, pelos cabelos). Fartei-me e mudei para Debian Testing, com uma pequena passagem pelo Fedora 22, que não manti por não conseguir correr o Football Manager 2015 (via Steam).

Apesar de já não trocar de distribuição quase mensalmente, de vez em quando lá vou experimentando uma ou outra virtualizada no KVM. A última que testei foi a GhostBSD 10.1, que é baseada na FreeBSD 10.1.

A experiência não foi fácil. Sempre que iniciava a máquina virtual a arrancar pelo ISO da GhostBSD, com um disco virtual para instalar o sistema operativo, ocorria um Kernel Panic; se removesse o disco dos parâmetros do KVM, o ISO arrancava normalmente. Esta situação foi estranha, porque ainda há uma semana tinha instalado a OpenBSD no mesmo disco virtual e tinha tudo corrido dentro da normalidade.

Depois de pesquisar durante uns minutos, encontrei uma solução. O disco virtual deve ser passado com o parâmetro “-drive file=discovirtual,if=virtio”, em vez do “-hda discovirtual” que estava a usar. Fica um exemplo: kvm -cdrom GhostBSD10.1-RELEASE-20150912-mate-amd64.iso -drive file=disco,if=virtio -m 1024 -boot d

Deixo aqui esta informação para minha futura memória e para quem possa vir a necessitar dela. Boas virtualizações! 🙂