divagações, geekices

Fifty shades of taxes

Já lá vai algum tempo desde a última vez que publiquei um post neste blog, e os intervalos entre cada um têm aumentado. É a falta de tempo, motivação, inspiração, tema; não necessariamente por esta ordem, nem todos em simultâneo. Hoje não é o caso, sabem porquê? Por causa de [desculpem-me os leitores e as leitoras mais sensíveis] merda.

Que melhor forma de classificar um projeto de lei que visa taxar tudo o que pode armazenar dados, porque os seus defensores dizem que os artistas, coitadinhos, estão a passar fome? Não é malícia, é mesmo o substantivo que me parece mais exato: merda!

Ok, se calhar sou eu que sou um bocado Angry Blogger. Os meus dedos não conseguiram evitar escrever uma rant quando li que a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias aprovou a proposta de lei da Cópia Privada.

Na prática, isto significa que, sempre que comprar um disco externo para guardar as muitas fotos que vou tirando (podem ser más, mas fodasse, são minhas), vou estar a pagar um imposto para encher os bolsos aos “defensores dos direitos dos autores” (nunca os consigo chamar assim sem me rir com o sarcasmo). Se trocar de telemóvel, vou pagar esta taxa porque, bem, vou tirar fotos (minhas, da minha autoria, com os direitos reservados a mim e a mais ninguém) e alguém acha que deve lucrar com isso. Que nome se dá às pessoas que tentam lucrar a todo o custo com o trabalho dos outros?

A AGAFE – que teoricamente poderia ser uma das interessadas – já se manifestou contra esta proposta de lei. Bastou puxarem um bocadinho pelo bom senso para perceberem que os dispositivos de armazenamento são usados maioritariamente para guardar dados do próprio utilizador.

Se vamos começar a ser taxados porque podemos vir a descarregar algo “pirata” (arrrrr!), somos culpados até prova em contrário, ou estou errado? Então, se me tratam assim, em vez de comprar em Portugal, começo a fazê-lo fora do país e espero que vocês façam o mesmo. Quando vão a um restaurante e são mal atendidos e/ou servidos, voltam lá?