divagações

O meu desagrado com o serviço da NOS

Há mais de um ano que utilizo o serviço da NOS e desde essa altura que noto algumas particularidades menos boas com ele. Quando a Zon se juntou à Optimus e mudaram a marca para NOS, pensei que isso trouxesse melhorias (antes de saber de algumas alterações pela imprensa). Estava tão enganado. Este meu mau hábito de ser idealista…

Sempre que faço um acesso por HTTP, SSH ou outro que normalmente use TCP, a velocidade corresponde sempre ao contratado e o serviço tem qualidade. Até mesmo quando os quatro computadores de casa estão a aceder a conteúdos em simultâneo, não se nota nenhum delay anormal. Como diria o José Sócrates: “Porreiro, pá”.

A porca torce o rabo quando alguém decide fazer um acesso que assente em UDP, como os torrents. Se descarregar a mais recente Stable do Debian ou qualquer conteúdo do Pirate Bay et all, o acesso a qualquer site torna-se no mínimo penoso, mesmo limitando a velocidade de transferência do conteúdo por Bittorrent. Há no entanto diferenças entre estes dois exemplos: a degradação, quando descarrego um ISO do Debian, é menor do que quando uso um dos chamados sites piratas – mesmo que o conteúdo seja também uma imagem desta distribuição, mas com um tracker diferente definido, ou outro conteúdo que posso descarregar legalmente.

O Carlos Martins já abordou este assunto algumas vezes no Aberto Até de Madrugada, uma das quais através de uma carta aberta que teve direito a respostas enlatadas e muito vagas por parte da – na altura – ZON, por isso não acho que valha a pena repetir a informação publicada pelo Carlos acerca da filtragem de tráfego. Recomendo, no entanto, uma visita ao site dele para saberem mais detalhes.

Esta prática, infelizmente, parece ser transversal a todos os operadores. Enquanto percebo que necessitem de fazer algum tipo de balanceamento de tráfego, o que me tem vindo a acontecer é algo que não consigo compreender e cada vez mais me faz pensar em mudar de operador. Pode ser que o próximo ISP não faça isto de forma tão vincada.

E a ANACOM, que é a entidade nacional que regula o setor e, inclusive, publica no próprio site que “defende os interesses dos cidadãos, garantindo a prestação de informações claras e a transparência nas tarifas e nas condições de utilização dos serviços”, parece ter a tendência de fazer de Pilatos nestas questões e lava as mãos.

Para juntar a isto, ultimamente tenho que reiniciar o router várias vezes por semana. Todas as máquinas ficam com acesso interno, conseguem pingar as outras e aceder às partilhas; o acesso externa é que desaparece. Só voltamos a ter ligação depois de reiniciar o router, que entretanto já foi substituído.

Quando o problema era o router, liguei para o apoio técnico da NOS. Depois de selecionar uma quantidade demasiado grande de opções no IVR, lá consegui chegar à fala com uma assistente. Expliquei a situação, mas aparentemente não fui muito claro nos primeiros 10 minutos de conversa, porque ela não conseguiu perceber o que é uma rede interna – ou LAN, se preferirem.

Depois de quase fazer um desenho, a assistente finalmente fez que percebeu e pediu-me para ligar para o apoio informático. Fiquei tão estupefato com a resposta que só disse que ia ligar e terminei a chamada. No momento seguinte, liguei para a retenção a dizer que ia cancelar por este motivo e no dia seguinte tinha o técnico em casa para trocar o equipamento – que efetivamente não estava a funcionar corretamente.

Durante um mês, o serviço esteve a funcionar bem, exceção feita à questão dos torrents. Agora, como eu já esperava, voltou a dar dores de cabeça. E desta vez não parece ser o router.

divagações, opinião

Porque não vejo noticiários

Não costumo ver noticiários. Há algum tempo que decidi que ia deixar de os ver completos e poucas vezes por mês, e tenho cumprido isso, mas de vez em quando vou assistindo a alguns minutos se houver possibilidade e paciência. As únicas exceções que abro são o Jornal 2 (sempre que tenho tempo de o ver), o único que ainda acho minimamente decente, e um qualquer dos noticiários da SIC sempre que vou visitar os meus pais e almoço e/ou janto com eles.

Hoje, às 20:20, mais ou menos, vi o bloco informativo da RTP1 enquanto aguardava que o jantar cozinhasse. Estava a dar o segmento sobre futebol e a notícia era a família afastada do Cristiano Ronaldo do Brasil: quem são, o que fazem, de que ramo derivam na árvore genealógico da família Aveiro, etc… Esta notícia precedeu a da conferência de imprensa da Seleção Nacional, representada pelo Hélder Postiga. Sim, leram bem, foi exibida antes da conferência de imprensa da nossa seleção.

Por motivos que claramente me ultrapassam, e para os quais ainda não consegui encontrar uma justificação de índole informativa, o faits divers de revista cor-de-rosa passou primeiro que uma conferência de imprensa oficial da seleção portuguesa. Foi uma de muitas nãotícias que cada vez passam em maior número nos noticiários e que me fizeram afastar deles.

Admito que ainda ponderei o grau de importância dos dois tópicos: família afastada do Cristiano Ronaldo e Seleção Nacional. Quando pesei a potencial importância e interesse das duas para os telespetadores, não consegui ver forma alguma da família afastada do CR7 se sobrepor à conferência de imprensa da Seleção das Quinas. Se ao menos tivessem lançado um CD de música pimba romântica…!

A SIC e a TVI são piores. O pouco dos noticiários que vou vendo destes canais é composto quase exclusivamente por faits divers. De vez em quando lá se enganam e passam alguma informação em quantidade superior ao normal (que é pouca).

Quando quero informação, viro-me para a Web. Pode demorar um pouco até encontrar fontes de informação com alguma qualidade, mas depois de feita a filtragem é um descanso (imperfeito, mas um descanso). Também, tenho mais meios de acesso à informação, como as redes sociais e leitores de feeds (Tiny Tiny RSS, Digg, Feedly), aplicações para Android, etc. Há maior diversidade, mais fontes e, depois de uma boa filtragem, qualidade superior à dos telejornais.

Imagem sob a licença CC-BY-NC-SA-2.0
Autor: Dave Bledsoe

divagações, geekices

Google, emails, publicidade e privacidade

Todos nós sabemos que o “moto” da Google é “Do No Evil”, mas a empresa tem um historial já considerável de nem sempre cumprir isto. E todos nós também sabemos que eles vão dando uma vista de olhos aos nossos emails do Gmail, através de supostos sistemas automáticos, para poder apresentar publicidade direcionada para o utilizador. Porque parte significativa das receitas da empresa é a publicidade.

Este segundo não estava totalmente explícito nos Termos de Utilização do Gmail. Até que, no seguimento de um processo judicial, a Google decidiu atualizar os Termos de Utilização de Serviço. Agora, a monitorização dos conteúdos dos emails, passa a constar claramente nestes termos.

Our automated systems analyze your content (including emails) to provide you personally relevant product features, such as customized search results, tailored advertising, and spam and malware detection. This analysis occurs as the content is sent, received, and when it is stored.

Esta atualização vem aumentar um pouco a minha relutância em relação à Google. Compreendo que queiram fazer cada vez mais dinheiro, porque eu também quero; no entanto, talvez estejam a esticar um pouco demais a corda há algum tempo. Mas mudar de serviços não é assim tão fácil, porque tenho o mesmo email há mais de uma década, uso vários serviços da empresa e ainda não encontrei uma alternativa gratuita às Google Apps. E, bem, porque sou utilizador de Android e eles gostam de integrar os serviços deles neste sistema operativo – o que também é compreensível.

Como alternativa ao Gmail, já considerei o Sapo Mail. A infraestrutura deste serviço é boa, apesar de terem margem de manobra para melhorar o interface web (simplificá-lo seria algo prioritário), mas falta algo semelhante às Google Apps. O serviço da Yahoo, mesmo agora com 1Tb de espaço disponível, não me desperta grande interesse; o Outlook.com seria uma passagem de cavalo para burro. Tenho sempre a possibilidade de colocar tudo no domínio brunomiguel.net, mas para isso teria que ter muito mais espaço para alojamento e eu não posso ter esse aumento de custos para já.

A verdade é que não me parece haver grandes alternativas ao Gmail – e restantes serviços Google, mas acima de tudo este -, tendo em conta o que oferecem. Claro que podem deixar as vossas sugestões caso conheçam um.

Por outro lado, poderei manter a minha conta Gmail durante mais algum tempo. Isto, claro, se os rumores de encriptação End-to-End e suporte para PGP no serviço de email da Google se revelarem verdadeiros. Só que, com isto, deixariam de conseguir usar os tais sistemas automáticos para ler os nossos emails e apresentar publicidade direcionada ao utilizador, o que poderá significar diminuição da receita gerada e certamente não será o pretendido pela empresa.

divagações, opinião

Com ou sem comentários?

A minha grande e principal inspiração para ter começado um blog, o Bitaites do Marco Santos, esteve sem publicações novas durante algum tempo. Confesso que cheguei a pensar que seria o fim daquele que para mim é o segundo melhor blog nacional – sendo que os meus dois estão empatados como primeiro (hehehe). Afinal voltou à carga, mas desta vez já sem a caixa de comentários disponível.

Os motivos são mencionados no próprio blog, mas o Marco resumiu-os no Twitter:

@brunomiguel Não estou para aturar idiotas, trolls e spammers. Nunca os viste porque eu filtrava tudo. Agora é um descanso 🙂

Não vou fazer juízos de valor sobre o fecho dos comentários no Bitaites; nem tenho nada que o fazer, cada um sabe como quer a sua casa. Estou é a pensar se vale a pena fazê-lo nos meus blogs.

O volume de trolls que passam por qualquer um dos blogs que tenho é tão baixo hoje em dia que já nem causa incómodo. O número de comentários que recebo em qualquer um deles ainda mais baixo é. Só o spam é que ainda se vai mantendo com alguma frequência, mas o plugin que uso muito raramente deixa passar um.

Mais que isto, aquilo que escrevo normalmente não é para gerar discussão, é algo que partilho, seja numa toada mais ou menos pessoal. Só partilha, mais nada. Será que assim vale a pena manter os comentários disponíveis, ou mais vale fazer como o Marco e deixar apenas um formulário de contacto à disposição de quem quiser dizer-me algo?

Vou deixar esta ideia a marinar algum tempo. Se a dada altura por acaso os comentários deixarem de estar disponíveis, já sabem o porquê. Até lá, vão continuar abertos.

divagações, opinião

Um artigo que valeu uma desilusão

Quem convive comigo com alguma regularidade sabe que as minhas leituras são sempre online. Não compro jornais nem revistas, nem livros em papel. Tento ao máximo ler em formatos digitais, pois assim tanto posso ler no computador fixo, no portátil ou no telemóvel. A escolha do equipamento depende sempre do que tenho disponível no momento e do tamanho do equipamento, diretamente relacionado com o tamanho do artigo: quanto maior é o artigo, também maior a necessidade de um ecrã com maiores dimensões. Por isso é que guardo os textos mais extensos para o meu computador fixo, onde tenho um monitor com número de polegadas bastante generoso.

Na véspera desta passagem de ano, abri uma exceção e comprei uma revista. Estava no LIDL, a fazer as segundas compras de última hora desse dia, quando vi a edição 223 da Exame Informática. Adicionei-a às compras que fiz e estive até há pouco para arranjar um tempo para a ler.

Já tinha visto o anúncio na televisão para esta edição e na altura fiquei muito curioso acerca do artigo “As suas ideias valem dinheiro na Internet”. Não me recordo da publicidade que passou na TV ser muito explícita acerca do teor dele, mas achei o nome cativante e até fiquei com a ideia de que seriam abordadas formas de tentar rentabilizar algo online. Estava enganado.

Este artigo foi uma desilusão. O conteúdo foca-se essencialmente nalguns portugueses que tiveram sucesso ao utilizar crowdfunding, menciona – quase sem aprofundar – as plataformas existentes para o efeito, e pouco mais. São 8 páginas com pouco conteúdo relevante e interessante, sem adicionar nada de novo à quantidade grande informação que já existe online sobre este método de financiamento alternativo. Aliás, a informação online sobre crowdfunding tende a ser muito mais completa que este artigo da Exame Informática.

Depois de tantos anos sem comprar uma revista, voltei a lembrar-me do porquê: as revistas portugueses são fracas que dói.

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Boas festas

boas festas

As festas de Natal são das poucas memórias que tenho da minha infância. Sempre associei esta festividade à família; mas desde os meus 13/14 anos, mais ou menos, que deixei de ligar completamente à parte religiosa. Há mais de 16 anos que me desvinculei de qualquer religiosidade, crença ou algo semelhante (a não ser a fé de que sou o melhor blogger do mundo!).

A associação à família nada tem a ver com a “sagrada família” do cristianismo. Esta referência deverá ser entendida por: pais, irmão, tios, primos, etc.

Em criança, ficava fascinado com as luzes na árvore e com toda a “magia” que se cria para os pequenos. E, claro, adorava receber presentes. Melhor que isso, no entanto, era ter toda a família reunida para a festa e divertir-me sempre imenso. Passava o dia todo a brincar com o meu irmão e os nossos primos, e à noite, depois do jantar, abria os presentes. Não podia esperar pela meia-noite porque era frequente adormecer num sofá ou mesmo à mesa no máximo até às 23h.

A dada altura, devido ao falecimento de um familiar, que tinha na altura 20 e poucos anos de idade, o Natal passou a ficar mais restrito aos pais e irmão. Coisas da vida. Isso também acabou por torná-lo mais intimista e deixar-me ainda melhores memórias.

Isto faz com que o Natal seja uma altura do ano especial para mim, pela vertente familiar. Este ano vou passá-lo com quem me é mais próximo e espero que também tenham essa sorte. Boas festas.

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Uma pequena “observação” sobre os separadores do Gmail

Há algum (pouco) tempo atrás, a Google decidiu integrar separadores no Gmail, fazendo a separação da correspondência eletrónica em cinco categorias que não são passíveis de configuração (até ao momento de escrita deste post). A intenção foi separar os emails por diferentes tipos e ajudar o utilizador a focar-se nos conteúdos mais importantes. Mas de boas intenções está o inferno cheio.

Quer o interface web, quer a aplicação para Android (não faço ideia se isto também foi introduzido para iOS), receberam esta alteração. No primeiro, gostei da alteração e confesso que me ajudou a gerir melhor os emails que entram. Como utilizo o método “Inbox Zero, do Merlin Mann, foi muito fácil adaptar-me. No sistema operativo móvel desenvolvido pela Google, com a aplicação oficial, tem sido o caos completo. Qualquer email que mova, de um destes separadores, para a pasta onde coloco os que já li e à partida não necessito de voltar a ver, fica sempre também no separador de origem. Constato isto de todas as vezes que acedo ao webmail.

Se a opção de mover do Gmail Android realmente funcionasse, era ouro sobre azul. De facto encaixa-se muito bem na gestão que faço do email e facilitou-me ainda mais a vida. O problema é que, por mais atualizações que a aplicação receba, continua a não ser resolvido e quase que me está a fazer mudar de aplicação. A intenção, que até era boa, está a ter o efeito contrário devido a isto.

Já estou a ficar um bocado farto… Estejam à vontade para deixar as vossas sugestões de aplicações para utilizar o Gmail, nos comentários. Se forem de código aberto, melhor ainda. 🙂

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Um beijo e uma polémica bacoca

Acabei de saber agora mesmo, através do blog da Maria João Nogueira, que duas atletas russas estão a causar polémica por terem dado um beijo na boca uma à outra na cerimónia de entrega das medalhas nos mundiais de atletismo. E isto, esta polémica bacoca (mais uma) de quem não tem mais nada para fazer a não ser meter-se na vida dos outros, nem é o pior.

Os media portugueses há algum tempo que sofrem do mal de replicar aquilo que vêm nos media internacionais. Pelo meio, esquecem-se de confirmar (total ou parcialmente) os factos, ou então distorcem as coisas talvez para tentarem vender mais umas cópias. Foi o que parece ter feito o Jornal de Notícias, como aponta a Maria João:

Há mesmo quem faça notícias dizendo “Beijo lésbico de atletas russas acende polémica“. Ora isto é uma de duas coisas. Ignorância ou sensacionalismo manipulador.

Toda a gente sabe (ou devia saber) que o beijo na boca é uma saudação banal, na Rússia, sem qualquer contexto homossexual.

E toda a gente devia saber, porque há inúmeros exemplos (uns mais icónicos do que outros) disso mesmo. São habituais e frequentes, as imagens de atletas, políticos, etc., Russos, a beijar-se na boca por dá cá aquela palha.

Esta mania de fazer eco do que os outros escrevem, sem também confirmarem a informação, é um dos motivos que me levou a afastar bastante de jornais e noticiários. Os únicos blocos informativos que vejo são o Jornal 2 e a Euronews; no que toca a jornais, muito ocasionalmente visito o site d’O Público. A informação que consumo vem quase todas das redes sociais e de alguns media internacionais que eu sigo nestes sites.

Isto não me protege de informação errada. Como estou sempre sujeito a ela, prefiro tê-a mais rapidamente do que esperar que algum jornal português a apanhe e replique quase ipsis verbis. Ao fazerem isto, e mais umas quantas coisas, não é de admirar que cada vez tenham menos leitores e caminhem para a morte. No entanto continuam a culpar a internet… Enfim.