opinião

Sobre o corte de financiamento público das instituições de ensino privadas

Esta estória dos cortes nos estabelecimentos de ensino privados com contrato de associaçaõ tem causado muita polémica e opiniões discordantes. Pior ainda, tem havido muita desinformação de ambos os lados.

A opinião mais realista que ouvi ou li foi a do Miguel Caetano, num post que publicou no Facebook e que transcrevo aqui com autorização do próprio.

O debate em torno do financiamento de colégios privados com fins lucrativos pelo estado português é um dos mais intelectualmente desonestos e superficiais dos últimos anos.

O argumento supremo invocado para justificar o financiamento desses colégios em situação de redundância comparativamente a escolas públicas é, como não poderia deixar de ser, o da qualidade: basicamente, invoca-se que os contribuintes portugueses devem apoiar esses colégios porque a educação que eles proporcionam aos seus alunos é de uma qualidade superior à da escola pública situada a menos de um quilómetro.

A questão é que o argumento que está aqui em causa representa quanto a mim um autêntico quebra-cabeças lógico: porque razão é que se deve financiar com dinheiros públicos colégios com fins lucrativos? Porque os alunos saem de lá melhor preparados. E porque é que isso acontece? Porque são colégios privados. Mas se são privados e visam obter lucro, então porque carga de água necessitam do dinheiro dos contribuintes para sobreviverem?

Em suma: analisando a questão em pormenor, não parece existir qualquer razão ontológica que impeça que as escolas pertencentes à rede pública não ofereçam a mesma educação de qualidade que os colégios privados. Mais ainda: pode muito bem ser que esse dinheiro que os contribuintes gastam com colégios privados possa ser mais bem empregue na ampliação e renovação da rede de ensino público.

Esta discussão é superficial sobretudo porque confunde um sintoma com uma causa: o facto dos colégios privados ministrarem um ensino supostamente de maior qualidade não deve ser atribuído ao seu estatuto de entidades com fins lucrativos – MUITO PELO CONTRÁRIO! Se mais não fosse, a própria necessidade da existência de contratos de associação entre o Estado português e as empresas responsáveis por esses colégios para a sobrevivência de muitos destes últimos revelaria que a educação de qualidade não é e nem pode ser lucrativa!

É claro que aquilo que entendemos por “qualidade” é muito relativo, dependendo na prática da interpretação subjetiva de cada pessoa. Para uns, pode ser uma excelente média nos exames nacionais; para outros pode ser uma variedade de matérias extracurriculares; para outros ainda pode ser piscinas e ginásios olímpicos, spas, transportes pagos de casa para o colégio e do colégio para casa, etc. Mas enveredar por essa discussão já seria entrar num nível mais avançado. Para todos os efeitos, entendamos provisoriamente por qualidade como sendo uma combinação de todas essas definições, com especial ênfase para a primeira delas.

Nesse sentido, é fácil constatar pela consulta dos estatutos dos colégios, bem como da Constituição da República Portuguesa que:

1) o fim último de maior parte dos colégios privados não é uma noção mistificadora de “qualidade” mas sim a obtenção de lucros para os seus acionistas;

2) o fim último das escolas públicas não é a qualidade enquanto ideal místico mas sim cumprir a obrigação imposta ao Estado pela CRP de proporcionar uma rede de ensino o mais universal, aberta e gratuita possível.

Como se pode ver, a qualidade resume-se a um atributo mistificador que, na sua aceção maioritária – maior desempenho escolar -, resulta não raras vezes de uma consequência a posteriori fortuita, não podendo ser acorrentada de forma essencialista a um ou outro sistema de ensino. Isto porque nem colégios privados nem escola pública têm como missão última proporcionar um ensino de qualidade.

Obviamente que para além do ensino privado com fins lucrativos e do ensino público, poderemos sempre também falar de um ensino cooperativo e/ou sem fins lucrativos, proporcionado por associações locais ou organizações não-governamentais. Ainda que esse tipo de ensino seja quanto a mim mais merecedor do financiamento público do que empresas com fins lucrativos, mesmo nesse caso teremos que ter o cuidado de evitar que o contribuinte acabe por financiar propaganda religiosa, política ou qualquer outro tipo de ideologia que se desvie da missão universalista e aberta do sistema de ensino público.

Esta discussão em torno dessa mistificação chamada qualidade é aliás igualmente válida para outros domínios tradicionalmente financiados pelo Estado como os transportes ou as bibliotecas. A diferença é que alguém que viesse a terreno defender a suspensão dos planos de ampliação e renovação da rede pública de transportes coletivos (metropolitano, caminhos de ferro e serviços rodoviários) de modo a financiar os serviços privados de transporte de uma empresa como a Uber apenas porque estes são mais confortáveis, rápidos e asseados seria encarado como um autêntico idiota, quando não mesmo um palhaço.

O mesmo se diga aliás de alguém que defendesse o fim das verbas destinadas anualmente pelo orçamento de Estado às bibliotecas municipais e universitárias para que, em troca, o Estado passasse a oferecer mensalmente a todos os cidadãos nacionais um cheque-brinde no valor de 100 euros para a aquisição de livros na Amazon apenas porque as bibliotecas públicas não dispõem de todas as obras que constam dos programas das cadeiras dos cursos superiores das universidades públicas… :o)

Subscrevo a opinião do Miguel.

imagem da autoria de Carmine Savarese, sob a licença CC-BY-NC-ND-2.0

geekices, opinião

Bye bye Spotify

Na semana passada, o Spotify introduziu algumas alterações à política de privacidade da plataforma e, a julgar pelas reações nas redes sociais e blogs, vários utilizadores – incluindo eu – ficaram um bocado aborrecidos. Não é para menos.

Estas alterações introduzem novas formas de recolher informação sobre os utilizadores. Esta prática nada tem de nova; o Facebook e o Google têm feito muito dinheiro desta forma. O que torna isto ainda pior que os anteriores é a forma mais vaga com que é escrita, e ter a seguinte alínea:

3.3 Information Stored on Your Mobile Device

With your permission, we may collect information stored on your mobile device, such as contacts, photos, or media files. Local law may require that you seek the consent of your contacts to provide their personal information to Spotify, which may use that information for the purposes specified in this Privacy Policy.

Se eu instalar a aplicação oficial do Spotify, ela vai “varrer” o meu telemóvel e enviar tudo o que conseguir encontrar para os responsáveis do serviço?

Depois das reações negativas, os responsáveis do Spotify publicaram no blog oficial da plataforma que isto é apenas para tornar tudo mais claro (já faziam esta recolha de informação antes das alterações?) e que nada será partilhado sem que seja dada autorização expressa para isso. Só falharam em dizer de que forma será pedida essa autorização. Será quando a aplicação for instalada ou atualizada? É que, se for, todos nos sabemos que o grosso dos utilizadores vai aceitar algo que nem sequer leu.

Para já, só posso dizer “Bye bye Spotify”.

imagem de Jonathan Grado, sob a licença CC-BY-SA

geekices, opinião

Asus X551C – o balanço de um mês de utilização

Até há mais ou menos 1 mês atrás, tinha um desktop e um portátil. O primeiro já começava a mostrar o peso da idade, com um single-core a 2.88GHz (com overclocking) e 2GB de RAM; e o segundo mais ainda – 1Gb de RAM partilhado com a gráfica de 128Mb e um single-core de 1.5GHz.

Apesar do hardware legacy, conseguia que eles ainda fossem aguentando graças aos sistemas operativos de código aberto. Por exemplo, no portátil usava frequentemente um Tiling Window Manager porque estes, regra geral, utilizam muito poucos recursos que um gestor de desktop como o Gnome, KDESC ou XFCE. Apesar disso, ver um vídeo no Youtube, em HD, neste portátil era uma missão impossível.

Para tarefas que necessitavam de algum poder de computação, usava o fixo e até esse demorava mais do que devia. Por isso, a dada altura ponderei fazer-lhe uma atualização ao hardware. Depois de ver preços de processadores compatíveis com a motherboard do computador, possíveis boards novas e RAM, conclui que no meu caso o mais compensatório seria comprar um portátil novo e assim o fiz. A minha escolha recaiu sobre um Asus X551C.

Esta máquina não é nenhum topo de gama, algo que poderão confirmar com uma rápida pesquisa num motor de busca. O processador é um Intel Celeron 1007U com gráfica integrada Ivybridge Mobile e 4GB de RAM. E o disco nem sequer é SSD. Contudo, apesar destas limitações, o preço era demasiado convidativo para deixar passar a oportunidade.

Bem, estas limitações nem o são. Para a utilização que lhe dou (por exemplo, desenvolvimento web com HTML, CSS e Javascript), o hardware chega bem e sobra.

Quando comprei o portátil, ele vinha com o Windows 8 pré-instalado. Na loja, questionei o funcionário sobre a devolução do valor da licença e este indicou-me que a Rádio Popular não faz essa devolução. Para evitar andar meses a ter chatices, assim que cheguei a casa iniciei essa espécie de sistema operativo para poder fazer um DVD de backup dele (caso necessite de usar a garantia), experimentei-o durante 5 minutos e de seguida instalei o Ubuntu 14.04. Escusado será dizer, todo o hardware funcionou à primeira e a performance da distribuição da Canonical foi largamente superior à do sistema da Microsoft.

Um mês depois da compra (mais dia, menos dia), estou satisfeito com ela. O ecrã, admito, podia ser um pouco melhor e podia vir com um sistema operativo decente pré-instalado, mas tirando isso não tenho nada a apontar até ao momento.

divagações, opinião

Porque não vejo noticiários

Não costumo ver noticiários. Há algum tempo que decidi que ia deixar de os ver completos e poucas vezes por mês, e tenho cumprido isso, mas de vez em quando vou assistindo a alguns minutos se houver possibilidade e paciência. As únicas exceções que abro são o Jornal 2 (sempre que tenho tempo de o ver), o único que ainda acho minimamente decente, e um qualquer dos noticiários da SIC sempre que vou visitar os meus pais e almoço e/ou janto com eles.

Hoje, às 20:20, mais ou menos, vi o bloco informativo da RTP1 enquanto aguardava que o jantar cozinhasse. Estava a dar o segmento sobre futebol e a notícia era a família afastada do Cristiano Ronaldo do Brasil: quem são, o que fazem, de que ramo derivam na árvore genealógico da família Aveiro, etc… Esta notícia precedeu a da conferência de imprensa da Seleção Nacional, representada pelo Hélder Postiga. Sim, leram bem, foi exibida antes da conferência de imprensa da nossa seleção.

Por motivos que claramente me ultrapassam, e para os quais ainda não consegui encontrar uma justificação de índole informativa, o faits divers de revista cor-de-rosa passou primeiro que uma conferência de imprensa oficial da seleção portuguesa. Foi uma de muitas nãotícias que cada vez passam em maior número nos noticiários e que me fizeram afastar deles.

Admito que ainda ponderei o grau de importância dos dois tópicos: família afastada do Cristiano Ronaldo e Seleção Nacional. Quando pesei a potencial importância e interesse das duas para os telespetadores, não consegui ver forma alguma da família afastada do CR7 se sobrepor à conferência de imprensa da Seleção das Quinas. Se ao menos tivessem lançado um CD de música pimba romântica…!

A SIC e a TVI são piores. O pouco dos noticiários que vou vendo destes canais é composto quase exclusivamente por faits divers. De vez em quando lá se enganam e passam alguma informação em quantidade superior ao normal (que é pouca).

Quando quero informação, viro-me para a Web. Pode demorar um pouco até encontrar fontes de informação com alguma qualidade, mas depois de feita a filtragem é um descanso (imperfeito, mas um descanso). Também, tenho mais meios de acesso à informação, como as redes sociais e leitores de feeds (Tiny Tiny RSS, Digg, Feedly), aplicações para Android, etc. Há maior diversidade, mais fontes e, depois de uma boa filtragem, qualidade superior à dos telejornais.

Imagem sob a licença CC-BY-NC-SA-2.0
Autor: Dave Bledsoe

música, opinião

Notas sobre o Meo Music

Há alguns meses que sou cliente M4O, mas ainda não tinha utilizado os serviços adicionais que são disponibilizados pela operadora e estão incluídos no pacote que subscrevi. No entanto, desde que o Zeinal Bava anunciou que o tráfego de dados móveis do Meo Music não seria contabilizado para o plafond de internet incluído para os telemóveis, instalei a aplicação e comecei a usá-la como rádio quando estou no carro. Basta-me ligar um cabo de som ao rádio e assim posso ouvir o que me apetece, em vez de ter que gramar com a porcaria que passa em quase todas as rádios.

Uso a aplicação quase diariamente há 2 meses, talvez 3. Depois deste tempo, tenho alguns apontamentos a fazer acerca da aplicação Meo Music para Android (e talvez até do serviço em geral), e que partilharei aqui. Espero que a equipa que desenvolve e gere o serviço os veja como algo construtivo.

Pontos positivos

O melhor para mim tem sido a grande coleção musical disponibilizada. Os meus gostos musicais não incluem muita música popular (aliás, quase nenhuma), ainda assim encontro imensa coisa de que gosto no Meo Music.

Também, permite-me aceder a artistas classificados como musicalmente semelhantes ao que estou a ouvir, e ainda ler informações sobre eles. Se gostam de descobrir projetos musicais novos, recomendo o Meo Music.

Tudo isto está disponível em Android, iOS, Windows, Mac OS X e julgo que também em Windows Phone. De acordo com a equipa, há uns tempos no Twitter, uma aplicação para GNU/Linux está planeada ou já mesmo em desenvolvimento.

Pontos negativos

O meu telemóvel é um Samsung Galaxy S com um single-core a 1GHz, mas com overclock a 1.2GHz e um pequeno hack para ter mais RAM. Assim, por exemplo, consigo correr a aplicação do Facebook relativamente bem. O Meo Music, no entanto, dá erros com alguma frequência.

A velocidade do stream também não é das melhores. Se mudar de artista, demora uns largos segundos até começar a dar música, se não demorar mais de 1 minuto; por outro lado, por vezes mudo de artista e a música começa rapidamente. Isto acontece aleatoriamente e é irritante. Já com o Spotify não é assim.

Também, falta a possibilidade de poder pôr músicas a tocar aleatoriamente e de criar playlists/rádios automaticamente baseadas num artista. Parecendo que não, isto é uma falha muito grande, no que à minha opinião diz respeito. E sim, o Spotify tem estas funcionalidades.

Balanço geral

No geral, a experiência com o Meo Music tem sido positiva. Mas a verdade é que isso se deve, essencialmente, à não contabilização do stream para o plafond de internet móvel. Se passarem a permitir tocar músicas aleatoriamente e a criar rádios baseadas num artista, ficará muito boa. Espero que isso esteja para breve.

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divagações, opinião

Com ou sem comentários?

A minha grande e principal inspiração para ter começado um blog, o Bitaites do Marco Santos, esteve sem publicações novas durante algum tempo. Confesso que cheguei a pensar que seria o fim daquele que para mim é o segundo melhor blog nacional – sendo que os meus dois estão empatados como primeiro (hehehe). Afinal voltou à carga, mas desta vez já sem a caixa de comentários disponível.

Os motivos são mencionados no próprio blog, mas o Marco resumiu-os no Twitter:

@brunomiguel Não estou para aturar idiotas, trolls e spammers. Nunca os viste porque eu filtrava tudo. Agora é um descanso 🙂

Não vou fazer juízos de valor sobre o fecho dos comentários no Bitaites; nem tenho nada que o fazer, cada um sabe como quer a sua casa. Estou é a pensar se vale a pena fazê-lo nos meus blogs.

O volume de trolls que passam por qualquer um dos blogs que tenho é tão baixo hoje em dia que já nem causa incómodo. O número de comentários que recebo em qualquer um deles ainda mais baixo é. Só o spam é que ainda se vai mantendo com alguma frequência, mas o plugin que uso muito raramente deixa passar um.

Mais que isto, aquilo que escrevo normalmente não é para gerar discussão, é algo que partilho, seja numa toada mais ou menos pessoal. Só partilha, mais nada. Será que assim vale a pena manter os comentários disponíveis, ou mais vale fazer como o Marco e deixar apenas um formulário de contacto à disposição de quem quiser dizer-me algo?

Vou deixar esta ideia a marinar algum tempo. Se a dada altura por acaso os comentários deixarem de estar disponíveis, já sabem o porquê. Até lá, vão continuar abertos.

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Um artigo que valeu uma desilusão

Quem convive comigo com alguma regularidade sabe que as minhas leituras são sempre online. Não compro jornais nem revistas, nem livros em papel. Tento ao máximo ler em formatos digitais, pois assim tanto posso ler no computador fixo, no portátil ou no telemóvel. A escolha do equipamento depende sempre do que tenho disponível no momento e do tamanho do equipamento, diretamente relacionado com o tamanho do artigo: quanto maior é o artigo, também maior a necessidade de um ecrã com maiores dimensões. Por isso é que guardo os textos mais extensos para o meu computador fixo, onde tenho um monitor com número de polegadas bastante generoso.

Na véspera desta passagem de ano, abri uma exceção e comprei uma revista. Estava no LIDL, a fazer as segundas compras de última hora desse dia, quando vi a edição 223 da Exame Informática. Adicionei-a às compras que fiz e estive até há pouco para arranjar um tempo para a ler.

Já tinha visto o anúncio na televisão para esta edição e na altura fiquei muito curioso acerca do artigo “As suas ideias valem dinheiro na Internet”. Não me recordo da publicidade que passou na TV ser muito explícita acerca do teor dele, mas achei o nome cativante e até fiquei com a ideia de que seriam abordadas formas de tentar rentabilizar algo online. Estava enganado.

Este artigo foi uma desilusão. O conteúdo foca-se essencialmente nalguns portugueses que tiveram sucesso ao utilizar crowdfunding, menciona – quase sem aprofundar – as plataformas existentes para o efeito, e pouco mais. São 8 páginas com pouco conteúdo relevante e interessante, sem adicionar nada de novo à quantidade grande informação que já existe online sobre este método de financiamento alternativo. Aliás, a informação online sobre crowdfunding tende a ser muito mais completa que este artigo da Exame Informática.

Depois de tantos anos sem comprar uma revista, voltei a lembrar-me do porquê: as revistas portugueses são fracas que dói.

divagações, geekices, opinião, software livre

Um mês de balanço com Fedora

Já deve ter feito um mês – ou quase – desde que instalei o Fedora 18 no computador fixo. Inicialmente tinha algumas reticências sobre a continuidade da distribuição no meu computador, por diversos motivos, mas agora não. O sistema tem uma boa performance e dá poucas ou nenhumas chatices.

Aqui fica o balanço de quase um mês de utilização.

Software: Ubuntu vs Fedora

Um dos meus maiores receios, quando instalei Fedora, foi a existência de poucos repositórios adicionais. Para Ubuntu existem centenas, talvez até mais, no Launchpad, o que significa que a aplicação que pretendem tem grandes probabilidades de já ter pacotes disponíveis para a distribuição. Isto não acontece no Fedora, mas também não há necessidade disso porque quase tudo o que vão precisar para a vossa utilização diária vai estar disponível nos repositórios oficiais.

Até agora, não tenho tido qualquer contratempo com falta de software. A maioria das aplicações disponíveis para Ubuntu também está nos repositórios do Fedora. Nos casos em que isso não acontecer, vão existir alternativas viáveis – e ainda não tive nenhuma situação em que elas não fossem pelo menos tão boas quanto as aplicações que utilizava anteriormente.
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opinião, política

Com chavões se enganam os tolos

Não era para abordar aqui a escolha do Governo para embaixador do “Impulso Jovem”, até ter lido um post do Pedro Couto e Santos, com o qual concordo. Deixo aqui parte do texto:

[…]

Trabalhar é uma merda. Trabalhar é cansativo e aborrecido. Fazer a mesma coisa 200 vezes até sair bem é imbecil e sinal de falta de organização e de conhecimento da área em que se está a trabalhar.

Nós devemos é maravilhar-nos. Devemos ou trabalhar o mínimo indispensável para ficarmos com rendimento e tempo livre para irmos viver o resto da nossa vida ou arranjarmos um trabalho que nos dê prazer fazer e se confunda ou complemente com naturalidade essa vida.

Devemos ir para o trabalho para fazer coisas para nós e para as pessoas para quem trabalhamos, sejam clientes ou colegas ou mesmo para o patrão. E não para fazer horas, para queimar tempo, para podermos dizer que estivemos 22 horas no escritório todos os dias desta semana.

E o que produzimos? Não interessa? Não só interessa… é o que interessa.

Mas não me espanta que o Governo tenha ido buscar o macaquinho cujo sotaque parece fazer parte da actuação: este é o Governo que acha que é eliminando feriados e dias de férias que se produz mais, num país onde as pessoas passam mais horas no trabalho do que no resto da Europa e no entanto produzem menos do que a média.

[…]

O texto completo está no blog do Pedro.

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O Facebook não é um diário, pá!

Uma das coisas que mais me chateia (não levem isto de forma muito literal, ok?) no Facebook é alguns contactos meus fazerem desta rede social um diário pessoal aberto a quem quer ler – e também a quem não quer. É raro o dia em que não vejo uma indireta para alguém, um desabafo qualquer (na minha opinião) demasiado pessoal para ser publicado ali, uma imagem com um texto todo bonito e estúpido para picar alguém, ou outra coisa qualquer.

Bem, cada um faz daquilo o que quer. Eu, por exemplo, publico bastantes links no Facebook. É uma das muitas utilizações que dou à infame rede social do Zuckerberg. Conteúdos de esferas mais privadas, isso já evito. Sabem porquê? Porque não sinto necessidade de contar ao mundo se estou deprimido ou extasiado, nem tenho especial gosto em mandar indiretas (se tiver alguma coisa a dizer, digo à pessoa na cara. é muito mais simples e prático!). E porque privado é diferente de público…

A minha “luta” para tentar educar um pouco as pessoas para isto não tem tido propriamente grandes frutos. Não é que me incomode assim tanto o hábito que têm; quanto a isso, facilmente se contorna com os filtros da rede social. É mais pelo potencial de risco que isso acarreta para as pessoas, que muitas vezes nem têm noção disso.

Os riscos

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Fazer do Facebook um diário pessoal aberto a todos os contactos tem diversos riscos. Por exemplo, qualquer colega de trabalho vosso pode ver informação mais sensível e, com isso, quiçá, tentar prejudicar-vos. Ou o vosso patrão pode ver qualquer coisa de que não gosta e acabarem por ter o vosso lugar em risco. Se forem trabalhadores independentes, podem perder muitos clientes desta forma.

Isto são apenas três exemplos rápidos. Um outro, bem mais grave, é que a informação que lá colocam fica lá. Mesmo que a apaguem, ela já foi partilhada com os “parceiros” do Facebook e existe em diversos backups. Lembrem-se, vocês não são os utilizadores da rede social, são o produto e a vossa informação vale muito dinheiro – até mesmo aquela boca que mandaram a alguém através de uma atualização do estado.

Para além destes, existem outros riscos associados à partilha de informação privada num espaço demasiado público como é o Facebook: os mesmos que teriam se fossem para o meio da rua gritar que há pessoas falsas. Vá, talvez não fossem para a rua gritar isso, mas a verdade é que o fazem nesta rede social. Podem dizer-me que não é a mesma coisa. É verdade, não é. É mais fácil fazê-lo no Facebook porque só têm que mexer os dedos e pouco mais. Ir para a rua gritar já implicaria mexer as pernas e apanhar ar fresco. Algumas pessoas já nem devem estar habituadas a tal coisa porque o Farmville requer atenção constante.

Como não fazer do Facebook um diário

Se ficaram com medo, muito bem, devem ter. Continuem a escrever um diário pessoal no Facebook e, mais dia, menos dia, a coisa acaba por vos correr mal. Para evitar isso, deixo-vos algumas pequenas recomendações.

A primeira é: não têm que partilhar tudo. Se ficaram chateados(as) com alguém, têm esse direito. Agora, publicarem indiretas… É preciso dizer mais alguma coisa ou já perceberam que isso é pura e simplesmente algo tão idiota de se fazer como ir para a rua gritar o que, de outra forma, escreveriam na atualização de estado do Facebook?

Outra dica é escreverem mesmo um diário, mas longe da vista dos outros. Se preferirem em papel, presumo que já saibam como se desenrascar. Se optarem por software, para computador e/ou telemóvel, o site alternativeto.net tem várias aplicações. Podem, por exemplo, pesquisar por “journal” ou “diary“. É à vontade do freguês e a €3 o par.