opinião, política

Com chavões se enganam os tolos

Não era para abordar aqui a escolha do Governo para embaixador do “Impulso Jovem”, até ter lido um post do Pedro Couto e Santos, com o qual concordo. Deixo aqui parte do texto:

[…]

Trabalhar é uma merda. Trabalhar é cansativo e aborrecido. Fazer a mesma coisa 200 vezes até sair bem é imbecil e sinal de falta de organização e de conhecimento da área em que se está a trabalhar.

Nós devemos é maravilhar-nos. Devemos ou trabalhar o mínimo indispensável para ficarmos com rendimento e tempo livre para irmos viver o resto da nossa vida ou arranjarmos um trabalho que nos dê prazer fazer e se confunda ou complemente com naturalidade essa vida.

Devemos ir para o trabalho para fazer coisas para nós e para as pessoas para quem trabalhamos, sejam clientes ou colegas ou mesmo para o patrão. E não para fazer horas, para queimar tempo, para podermos dizer que estivemos 22 horas no escritório todos os dias desta semana.

E o que produzimos? Não interessa? Não só interessa… é o que interessa.

Mas não me espanta que o Governo tenha ido buscar o macaquinho cujo sotaque parece fazer parte da actuação: este é o Governo que acha que é eliminando feriados e dias de férias que se produz mais, num país onde as pessoas passam mais horas no trabalho do que no resto da Europa e no entanto produzem menos do que a média.

[…]

O texto completo está no blog do Pedro.

política

Relação entre os custos das PPPs e os partidos no poder?

Apesar de já ter escrito aqui que não pretendo tornar este blog em mais um de política, não posso deixar de passar a oportunidade de partilhar um gráfico que mostra uma relação entre os custos das PPP e os partidos no poder. A imagem, vi-a no blog Aventar, num post da autoria de Jorge Fliscorno.

gráfico

Se atentarem ao gráfico, os períodos de maior aumento da despesa das PPPs ocorrem quando o executivo no poder é o Partido Socialista. Quererá isto dizer que o PS é o maior causador de despesa relacionada com PPPs? Com estes dados apenas, não me parece justo fazer essa avaliação. É necessária mais informação para tirar quaisquer ilações.

Outro dado interessante da imagem é a intenção de voto atual do portugueses, onde o PS ganha com 31%, seguido do PSD com 24%. Dados perigosos e graves estes, que mostram que os portugueses têm vários problemas de memória política e rapidamente esquecem quem os ajudou a chegar a esta situação. Não nos esqueçamos que os governos têm oscilado entre PS e PSD nas últimas décadas, e que o país se vem afundando desde então. Ambos foram e são os timoneiros do barco à deriva chamado Portugal. É por isto que é importante procurar alternativas a estes dois partidos e à atual atuação política nacional. O Congresso Democrático das Alternativas apresenta-se como uma solução de debate nessa procura e, por isso, recomendo a vossa comparência.

política

Congresso Democrático das Alternativas

Dia 5 de Outubro irá realizar-se na Aula Magna, em Lisboa, o Congresso Democrático das Alternativas. Durante os próximos dias 20, 21, 22, e 23 de Setembro, decorrerão, no Porto, Braga, Lisboa e Coimbra, respetivamente, os debates temáticos deste congresso.

Fica o programa para os interessados.

PORTO: “Europa, crise e alternativas” (quinta-feira, dia 20/9, às 21h30)
Local: Escola Artística e Profissional ÁRVORE, Rua Barbosa de Castro, nº 51 (junto ao Palácio da Justiça).
Oradores: Alfredo Barroso, Carlos Pimenta, José Manuel Pureza, Manuel Carvalho da Silva, Manuela Mendonça (moderadora).

BRAGA: “Uma sociedade mais justa e inclusiva” (sexta-feira, dia 21/9, às 17h00)
Local: Auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, Rua de S. Paulo 1.
Oradores: Almerindo Afonso, Conceição Nogueira, Fátima Alves, José Soeiro, Nuno Serra, Pedro Rodrigues, Maria José Casa-Nova (moderadora)

LISBOA: “Os desafios da denúncia do Memorando” (sábado, dia 22/9, às 15h00)
Local: Teatro da Barraca (sala 2), Largo de Santos 2.
Oradores: João Ferreira do Amaral, João Rodrigues, Manuel Carvalho da Silva, Pedro Nuno Santos, Ricardo Cabral.

COIMBRA: “Uma economia sustentável que dignifique o trabalho” (domingo, dia 23/9, às 15h00)
Local: Galeria de Santa Clara, Rua António Augusto Gonçalves 67, Coimbra.
Oradores: Ana Santos, Gonçalo Avelãs Nunes, Lina Coelho, Jorge Leite, José Reis, Sérgio Manso Pinheiro

Se a minha vida pessoal o permitir, estarei em Coimbra a assistir ao debate.

política

Compreender o buraco das PPP (atualizado)

Foi através do Miguel Caetano (saudações, Miguel) que me chegou este vídeo sobre o desastre que foram e são as PPP (Parcerias Público-Privadas). O autor – que, pelo que consegui apurar, é o autor do blog Bicadinhas – explica, com recurso a desenho, os enormes gastos que as PPP têm gerado ao Estado, quais buracos negros a atrair a matéria (erário público) que gira à sua volta.

Eu não sou politólogo ou economista, nem tão pouco quero transformar este blog em mais um da área da política (cruzes, credo!), mas depois de ver este vídeo algumas perguntas começaram a inquietar-me a mente. Elas são:

  • É possível anular legalmente estas parcerias, sem prejuízo para o Estado?
  • É possível chamar (mas a sério; nada de comissões de inquérito, que são uma merda inútil que só serve para perder tempo e gastar dinheiro) à justiça os responsáveis por estes desastres?

Eu não sei a resposta a estas perguntas. Peço, por isso – se o quiserem, claro está – que me ajudem a obter resposta, numa discussão saudável e apartidária.

(atualização: recomendo a leitura do postAs PPP explicadas ao povo e às crianças“, publicado no blog Jugular. dica do leitor Nuno)

opinião, política

Paulo Portas, TSU e falta de coragem

Depois de ontem à noite ter visto uma reportagem na SIC Notícias, onde Nuno Melo, do CDS-PP, afirmou que o líder do seu partido não quis abrir uma crise política ao rejeitar a polémica proposta de alteração à TSU (Taxa Social Única), fiquei bastante expectante em relação às declarações de hoje de Paulo Portas. «Que vai este gajo dizer amanhã?», pensei eu para mim. E a verdade é que fiquei mesmo curioso.

Como não sabia a que horas seria a conferência de imprensa, e como normalmente os únicos noticiários completos que vejo são dos da SIC Notícias, RTPN e RTP2, rumei ao Twitter logo depois do almoço. Num instante, vi uma notícia d’O Público sobre o tema que tanta expectativa me estava a causar. A surpresa, essa, desvaneceu-se assim que li o artigo.

Numa conferência de imprensa com direito apenas a 3 perguntas, o líder do CDS-PP afirmou o seguinte:

Se me perguntam se eu soube? Claro que soube. Se me perguntam se eu tive uma opinião diferente. Tive uma opinião diferente.Se me perguntam se eu alertei. Alertei. Se me perguntam se eu defendi que havia outros caminhos. Defendi. Se me perguntam se eu bloqueie a decisão. Não bloqueei pela simples razão de que fiquei inteiramente convencido que isso conduziria a uma crise nas negociações com a missão externa, a que se seguiria uma crise do Governo, a que se seguiria um caos que levaria a desperdiçar todo o esforço já feito pelos portugueses

Sinceramente, já esperava esta inércia; até mesmo a «opinião diferente» que Portas diz ter de Passos Coelho em relação à TSU. Não estava a ver o CDS-PP entrar em rotura com o outro partido da coligação. Não pelo motivo invocado, mas pela falta de coragem e medo de quebra com o partido que está no poder.

Portas, tal como os seus congéneres políticos, não tem coragem. Deveria tê-la. Está em causa o país que lhe paga para que este o sirva. Esta decisão não serve o país; serve interesses partidários e, quiçá, outros. Precisamos de pessoas com tomates (desculpem-me a franqueza) e competência para ajudar a tirar o país do buraco em que se enfiou e está a enterrar cada vez mais. E isso não passa pela cantera política a que estamos habituados. Não será a votar PS, deixando de dar confiança ao PSD, que resolveremos este e outros problemas; não será a dar novo voto de confiança ao PSD que vamos lá; não é com os atuais políticos que vamos para a frente. Em vez de políticos, precisamos de pessoas competentes nas diversas áreas de atuação de um Governo. E isso, acho, só vai ser possível quando os portugueses deixarem de votar em cores partidárias e votarem em propostas credíveis, com olhar crítico.

divagações, política

A extinção da RTP2

O Governo, por recomendação do seu consultor António Borges, planeia concessionar a RTP1 a investidores privados e encerrar a RTP2. A justificação é a mesma usada para todos os cortes que já foram feitos: poupar, porque, disse António Borges em entrevista à TVI, o canal oferece muita despesa e tem poucas audiências.

Embora não tenha dados sobre o volume de audiências da RTP2, posso assegurar os leitores deste blog que é o único canal em sinal aberto que praticamente vejo. Nenhum outro, seja RTP1, SIC ou TVI, oferece documentários com a mesma qualidade; nenhum se foca tanto no desporto. São factos. A Markdata até tem uns gráficos bonitos, com dados de 2011, que o comprovam.

Os gráficos em causa representam macro géneros e estão divididos nas seguintes categorias:

  • Arte e Cultura;
  • Cultura;
  • Desporto;
  • Diversos;
  • Divertimento;
  • Ficção;
  • Informação;
  • Juventude.

gráfico markdata

Nas três primeiras categorias e na última, a RTP2 fica destacadamente à frente dos outros canais em sinal aberto. Na primeira, inclusive, só compete com a RTP1.

Talvez o Governo, em vez de ponderar acabar com o canal, deveria analisar de que forma pode otimizar o grupo RTP, talvez acabando com alguns dos ordenados milionários que por lá se pagam. Aí, sim, poupariam. Encerrar este canal só iria aumentar o défice de cultura do país, sem, desculpem-me a franqueza, qualquer benefício. Para mim, pelo menos, não teria, porque deixaria de ver televisão em sinal aberto.

curiosidades, política

Ucraniana em topless corta crucifixo com motossera em defesa das Pussy Riot

protesto em topless pela defesa das pussy riot

A condenação das russas Pussy Riot tem gerado bastante contestação. O Marco Santos tem feito alguns relatos no Bitaites, caso ainda não conheçam este caso e necessite de alguma contextualização.

Os protestos contra a decisão da justiça russa têm-se feito sentir um pouco por todo o lado. Na Ucrânia, uma mulher em topless e com mensagens de ordem escritas no corpo, cortou um crucifixo enorme com um motossera. Esta não foi uma iniciativa individual, mas um protesto da organização feminista ucraniana Femen.

Todas as imagens desta ação estão disponíveis no blog da Femen.

humor, política

Cavaco Silva e a interrupção das férias

O meu conterrâneo Carlos Esperança publicou um tweet que me deixou a pensar e bastante desanimado, até porque não tenho visto as notícias nos últimos tempos. Estou farto de negativismos e crises; chegam-me bem os problemas com que tenho que lidar neste momento, não preciso que me deitem mais abaixo.

A mensagem foi a seguinte:

Um PR que interrompe férias para inaugurar um hospital particular perde a confiança de quem o julgava capaz de defender o SNS.

Não quero de forma alguma julgar ou justificar esta atitude do Presidente da República, a qual me causa no entanto alguma desconfiança e desagrado. Justificações, essas, ficam a cargo dos seus assessores de imprensa e dos caçadores de tachos. No entanto, aposto que há uma justificação perfeitamente válida para esta interrupção de férias: o bolo-rei era à discrição. Que outro motivo teria o Cavaco Silva? Toda a gente sabe que o fascínio dele por bolo-rei é tanto que o come como se estivesse em jejum há mais de duas semanas.