divagações, política

A extinção da RTP2

O Governo, por recomendação do seu consultor António Borges, planeia concessionar a RTP1 a investidores privados e encerrar a RTP2. A justificação é a mesma usada para todos os cortes que já foram feitos: poupar, porque, disse António Borges em entrevista à TVI, o canal oferece muita despesa e tem poucas audiências.

Embora não tenha dados sobre o volume de audiências da RTP2, posso assegurar os leitores deste blog que é o único canal em sinal aberto que praticamente vejo. Nenhum outro, seja RTP1, SIC ou TVI, oferece documentários com a mesma qualidade; nenhum se foca tanto no desporto. São factos. A Markdata até tem uns gráficos bonitos, com dados de 2011, que o comprovam.

Os gráficos em causa representam macro géneros e estão divididos nas seguintes categorias:

  • Arte e Cultura;
  • Cultura;
  • Desporto;
  • Diversos;
  • Divertimento;
  • Ficção;
  • Informação;
  • Juventude.

gráfico markdata

Nas três primeiras categorias e na última, a RTP2 fica destacadamente à frente dos outros canais em sinal aberto. Na primeira, inclusive, só compete com a RTP1.

Talvez o Governo, em vez de ponderar acabar com o canal, deveria analisar de que forma pode otimizar o grupo RTP, talvez acabando com alguns dos ordenados milionários que por lá se pagam. Aí, sim, poupariam. Encerrar este canal só iria aumentar o défice de cultura do país, sem, desculpem-me a franqueza, qualquer benefício. Para mim, pelo menos, não teria, porque deixaria de ver televisão em sinal aberto.

2 thoughts on “A extinção da RTP2

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