divagações, opinião

Com ou sem comentários?

A minha grande e principal inspiração para ter começado um blog, o Bitaites do Marco Santos, esteve sem publicações novas durante algum tempo. Confesso que cheguei a pensar que seria o fim daquele que para mim é o segundo melhor blog nacional – sendo que os meus dois estão empatados como primeiro (hehehe). Afinal voltou à carga, mas desta vez já sem a caixa de comentários disponível.

Os motivos são mencionados no próprio blog, mas o Marco resumiu-os no Twitter:

@brunomiguel Não estou para aturar idiotas, trolls e spammers. Nunca os viste porque eu filtrava tudo. Agora é um descanso 🙂

Não vou fazer juízos de valor sobre o fecho dos comentários no Bitaites; nem tenho nada que o fazer, cada um sabe como quer a sua casa. Estou é a pensar se vale a pena fazê-lo nos meus blogs.

O volume de trolls que passam por qualquer um dos blogs que tenho é tão baixo hoje em dia que já nem causa incómodo. O número de comentários que recebo em qualquer um deles ainda mais baixo é. Só o spam é que ainda se vai mantendo com alguma frequência, mas o plugin que uso muito raramente deixa passar um.

Mais que isto, aquilo que escrevo normalmente não é para gerar discussão, é algo que partilho, seja numa toada mais ou menos pessoal. Só partilha, mais nada. Será que assim vale a pena manter os comentários disponíveis, ou mais vale fazer como o Marco e deixar apenas um formulário de contacto à disposição de quem quiser dizer-me algo?

Vou deixar esta ideia a marinar algum tempo. Se a dada altura por acaso os comentários deixarem de estar disponíveis, já sabem o porquê. Até lá, vão continuar abertos.

12 thoughts on “Com ou sem comentários?

      • Ah, mas não é a mesma coisa! Estamos na web 2.0, é suposto haver interacção, que desaparece quando os comentários passam a ser diálogos apenas com o autor do blog e não com todos os outros leitores. Um blog sem comentários, onde o contacto com o autor se realiza apenas por email não é um blog. É um site estático ;^)

        É claro que cada sabe de si e faz o que quer do seu blog. Há vários blogs bem importantes na blogosfera portuguesa com os comentários bloqueados e, na maior parte das vezes, os comentários nos blogs mais conhecidos são mais lixo que outra coisa. Esse problema não se coloca no meu blog, onde o spam é quase todo apanhado pelo respectivo plugin e o lixo é residual, pelo que estou “a falar de barriga cheia”. Mas continuo a pensar que a possibilidade de ter comentários, públicos, é uma das razões de se ter um blog.

  1. Acho que deves manter, também fiquei triste com a decisão do Marco, mas ele é que sabe o blog é dele ;).

    Por outro lado com a qualidade dos artigos dele pode ser que gerem mais respostas só que em vez de serem na caixa dos comentários sejam em outros blogs, já que isto anda tão paradinho…

  2. A decisão de acabar com os comentários foi dolorosa pelos motivos que o António Manuel Dias explicou e porque gosto genuinamente dos visitantes mais antigos (mesmo não os conhecendo pessoalmente!), mas no meu caso era necessário.
    Ninguém tem a noção do que eu tive de aturar ao longo destes anos porque filtrava tudo – e não estou a falar de spam.
    Fartei-me. Estava a começar a deprimir-me, sinceramente.
    Uma pessoa passa dois dias (ou mais – às vezes uma semana a recolher material; livros, net, por aí fora) a trabalhar num post…
    e depois é bombardeado com comentários de paraquedistas que nem sequer se deram ao trabalho de o ler totalmente, quanto mais interpretá-lo. As coisas mais idiotas! Estava a começar a fazer-me duvidar das minhas capacidades para escrever ou pelo menos comunicar através da escrita. Comecei seriamente a desatinar, a achar que não valia a pena.
    Às tantas comecei a ficar mais preocupado com o bando de idiotas e ileterados que andava a atrair do que propriamente no contéudo.
    Há 9 anos que aguento aquilo, admito que terá sido cansaço também. E também admito que se um dia me passar a neura arranjarei forma de reativar alguma possibilidade de comentário – nem que seja incorporando o sistema de comentários das redes sociais no blogue, é uma coisa a ver.
    Para já estou a apreciar o silêncio, como se tivesse acabado de ouvir a Bernardina cantar meia-hora e andasse cá fora a apanhar ar. Tenho saudades das pessoas que, como aqui o Bruno ou o João Silas, comentavam com alguma regularidade. Mas é mesmo uma questão de sobrevivência.
    Há uma coisa gira: sou contactado muitas vezes por pessoas que o fazem para me corrigir uma gralha ou um disparate qualquer que tenha escrito por distração, aselhice ou ignorância. Dou imenso valor que o façam, pois sinto que estão a proteger o blogue.
    Enfim, a ver vamos.
    Obrigado, Bruno, um abraço.

    • Só para clarificar.

      O corrector nunca foi meu: é um trabalho enorme e merecedor dos maiores agradecimentos de toda a comunidade que escreve em português com ferramentas de software livre, levado a cabo por um pequeno grupo de pessoas, o Projecto Natura da Universidade do Minho. Lembro-me vagamente (a minha memória já foi melhor) que comecei a usar os seus dicionários no programa de correio electrónico da suite Mozilla (lembram-se?), instalando-os à mão, copiando-os de um computador para outro e, depois, no Staroffice, com o mesmo método. Só passado um tempo resolvi fazer um pacote para instalação como extensão, tendo então contactado os endereços de email que constavam nos ficheiros. Foi aí que fiquei a perceber que podia usar versões actualizadas, transferindo-as directamente do seu site. Foi essa a minha pequena contribuição, durante uns anos: usar os dicionários que o Projecto Natura mantinha e actualizava para fazer extensões para a suite Mozilla, primeiro, depois para o Firefox/Thunderbird/Seamonkey e finalmente para o OpenOffice/LibreOffice. Podia ser o meu nome que a maior parte das pessoas viam, mas o trabalho a sério sempre foi de outros.

      De qualquer forma, agora o Projecto Natura ficou responsável por todo o processo, incluindo o empacotamento, e o engraçado é que o motivo por me ter afastado deste projecto é semelhante ao que te levou a fechar os comentários no teu blog: fartei-me de comentários despropositados. Como se pode facilmente verificar, o meu limite de tolerância é bastante inferior ao teu :^)

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