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O Facebook não é um diário, pá!

Uma das coisas que mais me chateia (não levem isto de forma muito literal, ok?) no Facebook é alguns contactos meus fazerem desta rede social um diário pessoal aberto a quem quer ler – e também a quem não quer. É raro o dia em que não vejo uma indireta para alguém, um desabafo qualquer (na minha opinião) demasiado pessoal para ser publicado ali, uma imagem com um texto todo bonito e estúpido para picar alguém, ou outra coisa qualquer.

Bem, cada um faz daquilo o que quer. Eu, por exemplo, publico bastantes links no Facebook. É uma das muitas utilizações que dou à infame rede social do Zuckerberg. Conteúdos de esferas mais privadas, isso já evito. Sabem porquê? Porque não sinto necessidade de contar ao mundo se estou deprimido ou extasiado, nem tenho especial gosto em mandar indiretas (se tiver alguma coisa a dizer, digo à pessoa na cara. é muito mais simples e prático!). E porque privado é diferente de público…

A minha “luta” para tentar educar um pouco as pessoas para isto não tem tido propriamente grandes frutos. Não é que me incomode assim tanto o hábito que têm; quanto a isso, facilmente se contorna com os filtros da rede social. É mais pelo potencial de risco que isso acarreta para as pessoas, que muitas vezes nem têm noção disso.

Os riscos

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Fazer do Facebook um diário pessoal aberto a todos os contactos tem diversos riscos. Por exemplo, qualquer colega de trabalho vosso pode ver informação mais sensível e, com isso, quiçá, tentar prejudicar-vos. Ou o vosso patrão pode ver qualquer coisa de que não gosta e acabarem por ter o vosso lugar em risco. Se forem trabalhadores independentes, podem perder muitos clientes desta forma.

Isto são apenas três exemplos rápidos. Um outro, bem mais grave, é que a informação que lá colocam fica lá. Mesmo que a apaguem, ela já foi partilhada com os “parceiros” do Facebook e existe em diversos backups. Lembrem-se, vocês não são os utilizadores da rede social, são o produto e a vossa informação vale muito dinheiro – até mesmo aquela boca que mandaram a alguém através de uma atualização do estado.

Para além destes, existem outros riscos associados à partilha de informação privada num espaço demasiado público como é o Facebook: os mesmos que teriam se fossem para o meio da rua gritar que há pessoas falsas. Vá, talvez não fossem para a rua gritar isso, mas a verdade é que o fazem nesta rede social. Podem dizer-me que não é a mesma coisa. É verdade, não é. É mais fácil fazê-lo no Facebook porque só têm que mexer os dedos e pouco mais. Ir para a rua gritar já implicaria mexer as pernas e apanhar ar fresco. Algumas pessoas já nem devem estar habituadas a tal coisa porque o Farmville requer atenção constante.

Como não fazer do Facebook um diário

Se ficaram com medo, muito bem, devem ter. Continuem a escrever um diário pessoal no Facebook e, mais dia, menos dia, a coisa acaba por vos correr mal. Para evitar isso, deixo-vos algumas pequenas recomendações.

A primeira é: não têm que partilhar tudo. Se ficaram chateados(as) com alguém, têm esse direito. Agora, publicarem indiretas… É preciso dizer mais alguma coisa ou já perceberam que isso é pura e simplesmente algo tão idiota de se fazer como ir para a rua gritar o que, de outra forma, escreveriam na atualização de estado do Facebook?

Outra dica é escreverem mesmo um diário, mas longe da vista dos outros. Se preferirem em papel, presumo que já saibam como se desenrascar. Se optarem por software, para computador e/ou telemóvel, o site alternativeto.net tem várias aplicações. Podem, por exemplo, pesquisar por “journal” ou “diary“. É à vontade do freguês e a €3 o par.

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