divagações, opinião

Um artigo que valeu uma desilusão

Quem convive comigo com alguma regularidade sabe que as minhas leituras são sempre online. Não compro jornais nem revistas, nem livros em papel. Tento ao máximo ler em formatos digitais, pois assim tanto posso ler no computador fixo, no portátil ou no telemóvel. A escolha do equipamento depende sempre do que tenho disponível no momento e do tamanho do equipamento, diretamente relacionado com o tamanho do artigo: quanto maior é o artigo, também maior a necessidade de um ecrã com maiores dimensões. Por isso é que guardo os textos mais extensos para o meu computador fixo, onde tenho um monitor com número de polegadas bastante generoso.

Na véspera desta passagem de ano, abri uma exceção e comprei uma revista. Estava no LIDL, a fazer as segundas compras de última hora desse dia, quando vi a edição 223 da Exame Informática. Adicionei-a às compras que fiz e estive até há pouco para arranjar um tempo para a ler.

Já tinha visto o anúncio na televisão para esta edição e na altura fiquei muito curioso acerca do artigo “As suas ideias valem dinheiro na Internet”. Não me recordo da publicidade que passou na TV ser muito explícita acerca do teor dele, mas achei o nome cativante e até fiquei com a ideia de que seriam abordadas formas de tentar rentabilizar algo online. Estava enganado.

Este artigo foi uma desilusão. O conteúdo foca-se essencialmente nalguns portugueses que tiveram sucesso ao utilizar crowdfunding, menciona – quase sem aprofundar – as plataformas existentes para o efeito, e pouco mais. São 8 páginas com pouco conteúdo relevante e interessante, sem adicionar nada de novo à quantidade grande informação que já existe online sobre este método de financiamento alternativo. Aliás, a informação online sobre crowdfunding tende a ser muito mais completa que este artigo da Exame Informática.

Depois de tantos anos sem comprar uma revista, voltei a lembrar-me do porquê: as revistas portugueses são fracas que dói.

6 thoughts on “Um artigo que valeu uma desilusão

  1. Também foi aí que uma vez publicaram o artigo “Troque ficheiros em segurança com o PHP”. E no artigo inteiro era PHP isto, PHP aquilo… etc.

    Um fartote de tanto rir… claro que era o PGP a que se referiam mas alguém (para ser tão prevalente foi “search and replace” seguramente) só pode ter sido erro de edição, acredito que o repórter tivesse ficado chateado 🙂

  2. Alex Ferreira says:

    o jornalismo sobre TI em Portugal é para newbies, sofre de imenso copy paste e as vezes vai mesmo mais longe na falta de qualidade e não passa de artigos com publicidade de produtos e serviços encomendada pelos patrocinadores.
    Ultimamente assiste-se a alguma falta de imparcialidade quando se abordam questões relacionadas com lobbies (ex: anti pirataria), ao ponto de as publicações serem usadas, de propósito ou não, como veículos de propaganda.
    Funciona muito bem para promover os produtos da moda (apples, samsungs e por ai fora), mas em ultima instância, quem acaba por perder mais, são as próprias editoras.

    • Bruno Miguel says:

      Fiquei com a mesma ideia depois de ver a revista toda. Só discordo numa coisa: não acho que seja sequer para newbies. Penso que até aí se exigiria mais algum rigor – não desfazendo o trabalho que eles têm a editar a revista.

  3. A escolha do equipamento depende sempre do que tenho disponível no momento e do tamanho do equipamento, diretamente relacionado com o tamanho do artigo: quanto maior é o artigo, também maior a necessidade de um ecrã com maiores dimensões.

    Aconselhava-te a não seguir à risca esse mantra. Faço um pouco como tu, leio principalmente conteúdos em formato digital mas há uns meses comprei um ebook reader com e-Ink da Kobo e a partir daí tem sido: quanto maior o artigo mais depressa o mando para o ereader. Existem ferramentas, como o Calibre e o Pocket, que permitem passar os conteúdos facilmente para o ereader. Principalmente com o Pocket que permite a sincronização entre a conta e o ereader.

    • Bruno Miguel says:

      Eu coloco sempre os artigos mais extensos no Pocket, para depois ler em qualquer um dos equipamentos. Ou então uso alguma extensão como o Readability para reformatar o texto e colocá-lo mais legível. Já ando com a vista cansada o suficiente para tentar ler coisas com texto a 11px ou assim…

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