divagações, opinião, política

Um desabafo sem nexo em tempos de austeridade

Austeridade e crise

Quem é que não se sente assim neste momento? Duvido que alguém responda honestamente que não tem esta sensação. Eu próprio não consigo dizer que não. A austeridade tem destas coisas.

A cada notícia sobre novo corte e novo aperto, sinto que me estão a meter a mão no bolso. E eu não gosto disso. Essas coisas, só a minha namorada é que pode fazer; de resto, não, obrigado. Não conheço os ministros e a troika de lado nenhum para me andarem a mexer nos bolsos sem sequer perguntarem se o podem fazer. Fodasse, pá, brinquem com os vossos… bolsos.

Serão mais cortes, mais apertos, solução para esta crise? Que crise? Crise de qualidade política? Crise financeira? Crise de inteligência, já que mudamos a merda mas o cheiro é sempre o mesmo?

Estou longe de ser versado em economia e finanças, mas não me parece lógico que ordenados mais baixos sejam benéficos para a economia. Se as pessoas têm menos dinheiro, como vão gastar mais, para que haja mais dinheiro a circular? Se os cidadãos cortam nos gastos, o lucro das empresas diminui, certo? E se diminui, começam os cortes/despedimentos nas empresas, correcto? Isto para mim é lógico. No entanto, como referi, economia e finanças não é bem a minha área. Alguém me explique então porque motivo(s) a austeridade é boa para nós, porque eu, por mais que tente, não consigo perceber. E aposto que não sou o único português com esta dúvida.

Outra dúvida que me inquieta é porque raio o governo diz que temos que cortar na despesa, apresenta medidas para reduzir os gastos, e depois chumba uma proposta do PCP para a utilização de software livre nos organismos estatais, reduzindo os gastos com software em aproximadamente €50 milhões (estimativas deste partido). A proposta da bancada parlamentar do Partido Comunista é semelhante àquela que o PSD apresentou durante a última legislatura (quando o Governo era PS) e que anunciou com tanta poupa e circunstância, como é comum nos ataques demagogos de qualquer político. Agora, reprovam-na. E isto é apenas um exemplo.

Este dito por não dito, as promessas vazias, o dizer uma coisa hoje e outra amanhã, as propostas e medidas feitas a jeito paras as objectivas das câmaras e da pesca do voto, já me começa a fartar. Estou farto da merda de políticos que temos tido nos sucessivos governos. Está na altura de correr com estes filhos da mãe e dar oportunidade a alternativas. Acho que já tivemos provas mais suficientes de que com os mesmos de sempre não vamos lá. Ou é preciso chegar ao ponto em que a Grécia está para abrirmos a merda dos olhos?

Só posso falar por mim quando digo «basta». Estou farto disto. Precisamos de competência na política e já!

4 thoughts on “Um desabafo sem nexo em tempos de austeridade

  1. Nuno says:

    Para desabafo sem nexo nao esta mal 🙂

    Tal como foi revelado recentemente com aquela reportagem acerca dos acrescimos de €€€ dos ex-politicos, tal como foi denunciado no livro The Shock Doctrine… ha um livre e descarado acesso ao poder politico por parte daqueles que ja detem forte poder economico. A relacao auto-reforca-se de uma forma que prejudica todos os outros.
    Os governos ditos democraticos na Europa parecem inclinados para remediar algo que se calhar esta FUBAR. Nao sei se passaremos esta decada sem ver novas “primaveras arabes” bem mais de perto. Preocupa-me no entanto que os poderes instalados ja possam estar preparados para essa possibilidade, que estejam armados e capazes de se defender enquanto os 99% estao a ainda na fase de pensar em termos de jogo limpo e dentro das regras democraticas.

  2. A política é uma treta. Os políticos estão muito longe de serem técnicos. Eles não sabem nada que é preciso para governar um país. Pergunta a um político se ele sabe como aumentar a produção agrícola; se ele sabe como acabar com a fome; se sabe como reduzir a criminalidade; se sabe dar melhores condições de vida ao seu país. Estou certo que a maioria (para não dizer todos) dirá que não sabe.
    Posso estar errado no que disse mas esta é a visão que tenho da política: papelada, conversa e discursos.
    Não há um rumo ou uma visão para o que se vai fazer. Não há plano para o futuro.

    • Bruno Miguel says:

      Necessitamos de modelos de governação alternativos, mas também de alternativas a nível de candidatos e know-how nas áreas de responsabilidade. Já não é de agora. Mas falta haver propostas concretas e bem divulgadas.

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