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Um tiro no livro

Depois dos disparates que têm vindo por parte da indústria de entretenimento para o combate à “pirataria”, agora é a vez das editoras de livros e dos escritores entrarem na silly season.

O caso que me chamou a atenção para o que se está a começar a passar nesta indústria foi o do LendInk. Este site tinha uma atividade perfeitamente legal, ajudava pessoas que compraram ebooks na Amazon ou na Barnes & Noble a encontrar outras pessoas que os quisessem emprestar. Nenhuma das trocas ocorria no próprio site; os utilizadores eram encaminhados quer para o site da Amazon, quer da Barnes & Noble, onde a troca ocorria.

Esta troca de livros é permitida por estas duas editoras online, ocorria nos próprios sites, mas isso não evitou que alguns autores começassem a afirmar no Twitter que a atividade do LendInk é ilegal. De críticas com 140 caracteres, o desagrado escalou e o site acabou por ser retirado pela empresa que fornece o alojamento. O receio terá sido o motivo para desligarem a ficha ao site, já que o host recebeu várias cartas e emails dos autores críticos do site.

Com uma atividade perfeitamente legal, e apesar da troca de ebooks ser feita no site das editoras – com quem os autores assinaram contratos para permitir essa troca que agora criticam -, o LendInk está a ser vítima de bullying. Quem sai a perder é cada autor que ainda participa nisto, porque a má imagem é mais difícil de apagar.

Your house, my rules

Quem também anda a tentar demais combater a “pirataria” é a Hachette. Aliás, pondo corretamente as coisas, estão a tentar mandar na casa dos outros com a desculpa de que só eles é que protegem os autores porque utilizam DRM.

Um autor que já publicou com esta editora e com a Tor Books, parte do grupo Macmillan, recebeu uma carta da Hachette a dizer que eles adquiriram os seus direitos no seu território de boa fé, mas que a política de não utilização de DRM por parte da Tor vai fazer com que eles, Hachette, tenham mais dificuldade em proteger os direitos do autor.

Não só espetam uma grande tanga, porque o DRM, para começar, não garante a proteção de nada nem lucros a ninguém (a não ser às empresas que os desenvolvem, porque são pagas para isso), como tentam manipular os autores para exigirem à outra editora que utilize DRM. Não parece ser uma prática muito competitiva e duvido da legalidade da mesma.

Esta carta parece fazer parte de um plano para novos contratos com autores, em que eles serão obrigados a garantir que as entidades a quem licenciam os direitos de publicação também usam DRM.

É este o estado da parvoeira no mundo dos livros digitais e de papel: uns perseguem sites com atividades perfeitamente legais, outros tentam impingir DRM à força e mandar no negócio dos outros.

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