opinião, política

Paulo Portas, TSU e falta de coragem

Depois de ontem à noite ter visto uma reportagem na SIC Notícias, onde Nuno Melo, do CDS-PP, afirmou que o líder do seu partido não quis abrir uma crise política ao rejeitar a polémica proposta de alteração à TSU (Taxa Social Única), fiquei bastante expectante em relação às declarações de hoje de Paulo Portas. «Que vai este gajo dizer amanhã?», pensei eu para mim. E a verdade é que fiquei mesmo curioso.

Como não sabia a que horas seria a conferência de imprensa, e como normalmente os únicos noticiários completos que vejo são dos da SIC Notícias, RTPN e RTP2, rumei ao Twitter logo depois do almoço. Num instante, vi uma notícia d’O Público sobre o tema que tanta expectativa me estava a causar. A surpresa, essa, desvaneceu-se assim que li o artigo.

Numa conferência de imprensa com direito apenas a 3 perguntas, o líder do CDS-PP afirmou o seguinte:

Se me perguntam se eu soube? Claro que soube. Se me perguntam se eu tive uma opinião diferente. Tive uma opinião diferente.Se me perguntam se eu alertei. Alertei. Se me perguntam se eu defendi que havia outros caminhos. Defendi. Se me perguntam se eu bloqueie a decisão. Não bloqueei pela simples razão de que fiquei inteiramente convencido que isso conduziria a uma crise nas negociações com a missão externa, a que se seguiria uma crise do Governo, a que se seguiria um caos que levaria a desperdiçar todo o esforço já feito pelos portugueses

Sinceramente, já esperava esta inércia; até mesmo a «opinião diferente» que Portas diz ter de Passos Coelho em relação à TSU. Não estava a ver o CDS-PP entrar em rotura com o outro partido da coligação. Não pelo motivo invocado, mas pela falta de coragem e medo de quebra com o partido que está no poder.

Portas, tal como os seus congéneres políticos, não tem coragem. Deveria tê-la. Está em causa o país que lhe paga para que este o sirva. Esta decisão não serve o país; serve interesses partidários e, quiçá, outros. Precisamos de pessoas com tomates (desculpem-me a franqueza) e competência para ajudar a tirar o país do buraco em que se enfiou e está a enterrar cada vez mais. E isso não passa pela cantera política a que estamos habituados. Não será a votar PS, deixando de dar confiança ao PSD, que resolveremos este e outros problemas; não será a dar novo voto de confiança ao PSD que vamos lá; não é com os atuais políticos que vamos para a frente. Em vez de políticos, precisamos de pessoas competentes nas diversas áreas de atuação de um Governo. E isso, acho, só vai ser possível quando os portugueses deixarem de votar em cores partidárias e votarem em propostas credíveis, com olhar crítico.

4 thoughts on “Paulo Portas, TSU e falta de coragem

  1. Carlos Afonso says:

    “Em vez de políticos, precisamos de pessoas competentes nas diversas áreas de atuação de um Governo. ” Não gosto mm desta frase, foi ideias destas que conduziram a pessoas competentes como O.S. em Pt, ou FF em Espanha.

    Prefiro poder escolher, mesmo escolhendo alguns incompetentes, ignorantes, mentiroso e mal preparados. Prefiro escolher políticos e não fulanos que começam por nos dizer que não o são, mas que a exercem ao dizê-lo.

    Quanto à substância este PP não é realmente o jovem louco que lançou um semanário para concorrer com o incumbente, mesmo que esse acesso de loucura o tenha ocupado só durante uns anos.

    • Bruno Miguel says:

      Olá, Carlos.

      Permite-me refutar o que escrevi. Não defendo totalitarismos nem nada que se pareça. O que eu defendo é o recurso a pessoas com conhecimentos nas diversas áreas de atuação do governo e com experiência nessas áreas. Participar nas universidades de verão dos partidos não dá competência nem experiência a alguém. É preciso já ter arregaçado as mangas e não viver desfasado da realidade, como se vê que acontece hoje em dia.
      No que toca à saúde, porque não ter algumas pessoas da área a ajudar a melhorar a governação nesse aspeto? Prefiro isso a um político profissional, que tem como ocupação ser demagogo e nada mais. E prefiro ter tudo feito às claras, para que as pessoas possam avaliar o que vai sendo feito, em vez de ficar sempre tudo no segredo dos deuses.

  2. Carlos Afonso says:

    É claro que prefiro políticos competentes, transparentes, responsáveis e responsabilizáveis a políticos mentirosos, incompetentes, formados em u. de verão (ou inverno), uns com experiência outros inexperientes (é necessário formas políticos com tempo), mas quero bons políticos e não bons técnicos, por muito bons que estes sejam.

    Os políticos não são necessariamente especialistas nas suas áreas de actuação têm é que se rodiar de pessoas que o sejam e têm que saber ouvir, escutar, raciocinar e decidir e voltar a ouvir,….

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