Cenas

A minha curta experiência a viver com fibromialgia

Há pouco mais de dois meses, num dia de folga, decidi esticar-me no sofá depois de almoço. Não houve qualquer razão particular para isto, foi apenas algo que me apeteceu; estava de folga e quis “lontrar” um bocadinho antes de lavar a louça e arrumar a cozinha.

Nem uma hora depois, comecei a sentir uma dor na região lombar. Mudei de posição mas não passou. Entretanto decidi deitar-me na cama para ficar mais direito. Uns minutos depois, a dor pareceu aliviar. Este alívio durou pouco tempo e num instante a dor intensificou.

No dia seguinte fui trabalhar. No meu trabalho, passamos 8 horas sentados e sem grande azo a estar de pé.

O primeiro dia de trabalho foi um pouco doloroso mas nada de extraordinário. No dia seguinte estive outra vez de folga, mas as dores continuaram. Ao terceiro dia fui novamente trabalhar e as dores continuaram a intensificar. No dia seguinte, pior ainda. E assim continuou até que tive de ir ao hospital.

Nesta altura, já mancava a andar por causa das dores musculares.

Na primeira visita ao hospital fizeram-me uma ecografia porque pensavam que era pedra nos rins e tiraram uma colheita de sangue para análise. O resultado dos exames não mostrou nada.

Uns dias depois acabei por ir novamente ao hospital. Para além da colheita de sangue da praxe – que deve ter dado para umas cabidelas – fizeram-me uma ecografia e um raio-x. Yet again, nada nos exames. Desta vez, no entanto, o médico disse-me que deveria falar com a médica de família e pedir-lhe para me passar uma credencial para uma tomografia (TAC) e outra para uma consulta de reumatologia.

Assim o fiz.

Neste período fui medicado com dois opióides (tramal 150mg e palexia 100mg), um anti-inflamatório, um relaxante muscular e algo idêntico ao Ben-U-Ron mas ligeiramente mais forte. Um cocktail de drunfos que só ajudou a fazer do meu fígado foie gras. True story.

Pouco mais de uma semana depois, fiz a tomografia. A consulta de reumatologia ainda demorou mais de um mês e meio, o que foi uma surpresa, porque sinceramente só contava com ela daí a pelo menos 6 meses por causa de todos os atrasos que a Covid-19 veio causar.

Quando finalmente chegou a consulta, mostrei a tomografia ao reumatologista, que me disse que o que aparece não é significativo para a sintomatologia que apresento. De seguida, fez-me um teste ao toque e, de acordo com o relatório que ele escreveu, apresentei dor em 15 dos 18 pontos do exame que é feito para diagnosticar fibromialgia.

YAY! – não pensei eu, porque a única coisa que me passava pela cabeça era: “Fodasse! Que é esta merda? O Preço Certo do Upside Down?”.

O médico recomendou-me exercício leve a moderado e coisas quentes, como botijas de água quente, na região que apresenta dor. É o que tenho feito desde esse dia, há pouco mais de uma semana.

Coisas bem quentes aplicadas onde dói aliviam – mas não tiram – a dor. Quando passa a sensação térmica, as dores voltam galopantes. Deito-me com elas, acordo durante a noite com elas e passo o dia com elas. Escusado será dizer que têm sido uns dias de merda nestes 2 meses e meio, mais dia menos dia.

Fiz um apelo no Twitter a quem está diagnosticado com fibromialgia e quisesse partilhar comigo a sua experiência com a maleita, e várias pessoas tiveram a amabilidade de o fazer ou fazer retweet do meu apelo. Recebi algumas links também, uma delas para a Myos, a Associação Nacional contra a Fibromialgia e Síndrome de Fadiga Crónica. Neste endereço podes encontrar vários recursos se, como eu, estiveres a aprender a lidar com a doença.

Termino o post com um enorme shout out aos utilizadores do Twitter que “espalharam a mensagem” ou que partilharam comigo o que têm passado e o que tem resultado na gestão da dor. ❤️


Geekices

Comissão Europeia prepara possível ataque às comunicações encriptadas

O Financial Times teve acesso a uma alegada nota interna da Comissão Europeia que visa expandir o “acesso legal direcionado” às comunicações eletrónicas encriptadas como forma de combate às redes de pedofilia, terrorismo e crime organizado.

A intenção, de acordo com a nota, é incentivar a discussão entre os estados membros para os entraves que a encriptação coloca na investigação e condenação de criminosos.

A nota contém alegadamente o seguinte, de acordo com o jornal norte-americano:

The application of encryption in technology has become readily accessible, often free of charge, as industry is opting to include encryption features by default in their products[…]. Criminals can make use of readily available, off-the-shelf solutions conceived for legitimate purposes. This makes the work of law enforcement and the judiciary more challenging, as they seek to obtain lawful access to evidence.

O intento parece ser a introdução de backdoors para permitir às forças de segurança contornar a encriptação e ter acesso aos conteúdos que, de outra forma, estariam encriptados. Na prática, aplicações como o WhatsApp, Telegram e Signal, que usam sistemas de encriptação para as comunicações dos seus utilizadores, seriam legalmente obrigadas a ter esta “porta dos fundos”.

Este tipo de ideia já não é novo. Em dezembro, o procurador-geral norte-americano, William Barr, sugeriu algo idêntico e classificou essa intenção como sendo de alta prioridade para o sistema de justiça do país.

Uma porta aberta a todos

A introdução de um backdoor para as forças de segurança significaria também que qualquer grupo criminoso, agência de espionagem, regime ditatorial ou pessoa mal intencionada também conseguiria esse mesmo acesso.

Não é possível que essa porta dos fundos esteja apenas acessível às forças de segurança porque não é desta forma que a encriptação funciona. Encriptação é matemática e alguém com conhecimentos técnicos e poder computacional suficiente poderia – e provavelmente conseguiria – descobrir a fórmula usada no sistema de encriptação, conseguindo assim aceder também às comunicações porque não há sistemas de encriptação infalíveis.

Um sistema de encriptação, por muito bom que seja em teoria, está sempre sujeito à qualidade da sua implementação, a falhas de segurança do hardware onde é utilizado e aos avanços tecnológicos que vão surgindo.

Ou seja, esta intenção da Comissão Europeia, a ser verdade e a passar a legislação, é um tiro em cada pé e outro na cabeça, figurativamente falando.

A acontecer, uma medida destas não seria muito diferente de obrigarem tudo e todos a manter as portas de todas as casas e de todos os edifícios sempre abertas, para que as autoridades consigam mais facilmente detetar ilícitos como violência doméstica e roubos, e depois queixarem-se de que há um aumento no número de assaltos.

Uma não-solução para criar mais problemas

Se esta intenção algum dia transitar para legislação, nada impede os grupos criminosos de desenvolverem os seus próprios sistemas de encriptação, algo que provavelmente já fazem. Ao invés de resolvermos um problema, estaríamos apenas a fragilizar fortemente o direito à privacidade dos cidadãos.

A alegada nota da Comissão refere, contudo, que o acesso às comunicações encriptadas deve ser proporcional e direcionado a um indivíduo ou grupo no contexto de investigação criminal. Apesar disso, tal não impediria que alguém numa posição de autoridade utilizasse este acesso para benefício próprio ou prejuízo de outrem.

Um político no poder poderia utilizar este backdoor para prejudicar os seus rivais. Um agente de autoridade envolvido num caso de violência doméstica poderia perseguir assim o conjugue.

Custo alto, benefício baixo

Há muitos potenciais problemas para pouco benefício. As autoridades continuam a conseguir apanhar criminosos sem necessidade de backdoors. Veja-se o que sucedeu quando a EncroChat, uma empresa holandesa muito procurada por redes criminosas devido ao desenvolvimento de equipamentos e sistemas de comunicação encriptados, foi desmantelada, tendo levado à prisão de várias pessoas envolvidas em atos ilícitos como tráfico de drogas.

Até onde estamos dispostos a ir e quanto queremos sacrificar da nossa privacidade em nome da segurança?

A imagem de destaque do artigo é da autoria do site Pexels e está sob a licença CC0.


Geekices

Updates on Userrepository and Jarvis

Lately, I’ve been having some problems when building picom-ibhagwan-git and picom-tryone-git. The first one would build OK, but not the second one.

After a bit of debugging, I found out that it was a problem related to the way makepkg and git handle the cache when building these forks. This would also happen when adding the picom-git package: it would build because it’s the first package in alphabetical order and Jarvis builds the packages that way, but not the other two.

To fix this, the build() function no longer uses pushd and popd, allowing the script to work outside the package directory it’s building and delete some parts of the cache folder Jarvis uses.

This has the upside of allowing a better cache cleaning when building the packages. In a future commit, it will clean after itself better, up to a point it cleans every cache and artifact generated during a build.

And yes, $HOME/.npm and $HOME/.cargo I’m looking at you both.

There will be an exception, though: the makepkg.log file in every submodule folder because I use it as a log file for the package build.

Unrelated to this issue is the removal of the onivim2-git package. It takes some time to build and lately it would ask human intervention to confirm some steps, which is not compatible with the way Jarvis builds the packages and because the script is meant to be a tool to build the packages in an automated way.

One last thing: please become a Patron if you want to support userrepository.eu. Even €1 will help cover the monthly expenses, just over €15. If I get enough patrons, I’ll be able to upgrade the virtual machine to one with better specs, which will allow a higher package compression level, shorter build times and maybe even packaged kernels. Thank you!