Cenas

A minha curta experiência a viver com fibromialgia, parte 2

A 10 de Outubro, escrevi aqui sobre a minha experiência com fibromialgia. Passado pouco mais de um mês e várias sessões de fisioterapia depois, as únicas coisas que mudaram para melhor foram a nova medicação que me ajuda a dormir e já não sinto tanta rigidez nos músculos quando acordo. De resto, passo os dias com a sensação de que fui espancado e tenho algo a rasgar-me os músculos.

Tendo em conta que isto é crónico, #FML.


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A minha curta experiência a viver com fibromialgia

Há pouco mais de dois meses, num dia de folga, decidi esticar-me no sofá depois de almoço. Não houve qualquer razão particular para isto, foi apenas algo que me apeteceu; estava de folga e quis “lontrar” um bocadinho antes de lavar a louça e arrumar a cozinha.

Nem uma hora depois, comecei a sentir uma dor na região lombar. Mudei de posição mas não passou. Entretanto decidi deitar-me na cama para ficar mais direito. Uns minutos depois, a dor pareceu aliviar. Este alívio durou pouco tempo e num instante a dor intensificou.

No dia seguinte fui trabalhar. No meu trabalho, passamos 8 horas sentados e sem grande azo a estar de pé.

O primeiro dia de trabalho foi um pouco doloroso mas nada de extraordinário. No dia seguinte estive outra vez de folga, mas as dores continuaram. Ao terceiro dia fui novamente trabalhar e as dores continuaram a intensificar. No dia seguinte, pior ainda. E assim continuou até que tive de ir ao hospital.

Nesta altura, já mancava a andar por causa das dores musculares.

Na primeira visita ao hospital fizeram-me uma ecografia porque pensavam que era pedra nos rins e tiraram uma colheita de sangue para análise. O resultado dos exames não mostrou nada.

Uns dias depois acabei por ir novamente ao hospital. Para além da colheita de sangue da praxe – que deve ter dado para umas cabidelas – fizeram-me uma ecografia e um raio-x. Yet again, nada nos exames. Desta vez, no entanto, o médico disse-me que deveria falar com a médica de família e pedir-lhe para me passar uma credencial para uma tomografia (TAC) e outra para uma consulta de reumatologia.

Assim o fiz.

Neste período fui medicado com dois opióides (tramal 150mg e palexia 100mg), um anti-inflamatório, um relaxante muscular e algo idêntico ao Ben-U-Ron mas ligeiramente mais forte. Um cocktail de drunfos que só ajudou a fazer do meu fígado foie gras. True story.

Pouco mais de uma semana depois, fiz a tomografia. A consulta de reumatologia ainda demorou mais de um mês e meio, o que foi uma surpresa, porque sinceramente só contava com ela daí a pelo menos 6 meses por causa de todos os atrasos que a Covid-19 veio causar.

Quando finalmente chegou a consulta, mostrei a tomografia ao reumatologista, que me disse que o que aparece não é significativo para a sintomatologia que apresento. De seguida, fez-me um teste ao toque e, de acordo com o relatório que ele escreveu, apresentei dor em 15 dos 18 pontos do exame que é feito para diagnosticar fibromialgia.

YAY! – não pensei eu, porque a única coisa que me passava pela cabeça era: “Fodasse! Que é esta merda? O Preço Certo do Upside Down?”.

O médico recomendou-me exercício leve a moderado e coisas quentes, como botijas de água quente, na região que apresenta dor. É o que tenho feito desde esse dia, há pouco mais de uma semana.

Coisas bem quentes aplicadas onde dói aliviam – mas não tiram – a dor. Quando passa a sensação térmica, as dores voltam galopantes. Deito-me com elas, acordo durante a noite com elas e passo o dia com elas. Escusado será dizer que têm sido uns dias de merda nestes 2 meses e meio, mais dia menos dia.

Fiz um apelo no Twitter a quem está diagnosticado com fibromialgia e quisesse partilhar comigo a sua experiência com a maleita, e várias pessoas tiveram a amabilidade de o fazer ou fazer retweet do meu apelo. Recebi algumas links também, uma delas para a Myos, a Associação Nacional contra a Fibromialgia e Síndrome de Fadiga Crónica. Neste endereço podes encontrar vários recursos se, como eu, estiveres a aprender a lidar com a doença.

Termino o post com um enorme shout out aos utilizadores do Twitter que “espalharam a mensagem” ou que partilharam comigo o que têm passado e o que tem resultado na gestão da dor. ❤️